Após quase duas décadas, Hamas anuncia saída do governo de Gaza

Novo comitê, criado sob mediação de Donald Trump, deve assumir gestão do território em meio a impasses sobre desarmamento.

Publicado em 6 de julho de 2026 às 16:17

Hamas anunciou, nesta segunda-feira (6), que deixou o órgão que governou a Faixa de Gaza durante quase duas décadas.
Hamas anunciou, nesta segunda-feira (6), que deixou o órgão que governou a Faixa de Gaza durante quase duas décadas. Crédito: Reprodução/Instagram @unicefpalestine

O Hamas anunciou, nesta segunda-feira (6), que deixou o órgão que governou a Faixa de Gaza durante quase duas décadas. A decisão abre caminho para a criação de um comitê encarregado de implementar um governo civil no território palestino. Segundo Ismail al-Thawabta, chefe do gabinete de imprensa do grupo, a renúncia oficial de Mohammed al-Farr, que chefiava o comitê de emergência governamental, visa facilitar a transição para o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG).

O NCAG, que será o novo responsável pela gestão, foi estabelecido por um Conselho de Paz criado pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump, durante as negociações que levaram ao cessar-fogo em outubro de 2025. O presidente do comitê, Ali Shaath, afirmou em redes sociais que o órgão, atualmente baseado no Cairo, está "totalmente preparado para assumir suas responsabilidades" assim que os recursos necessários estiverem disponíveis.

O Hamas governa a Faixa de Gaza desde 2007, após assumir o controle do movimento rival Fatah. De acordo com o porta-voz do grupo, Hazem Qassem, o objetivo deste novo passo é eliminar pretestos para a continuidade da ocupação e da guerra. No entanto, para especialistas como o cientista político Mkhaimar Abusada, a medida é vista como "simbólica", já que o verdadeiro impasse reside na aceitação do desarmamento do grupo.

Embora a primeira fase do cessar-fogo tenha permitido a libertação de reféns israelenses e prisioneiros palestinos, a segunda fase, que prevê o desarmamento do Hamas e a retirada das tropas de Israel, permanece estagnada há meses.

Enquanto o Hamas sinaliza o afastamento da gestão civil, Israel mantém uma postura rígida, descarta o retorno do grupo ao poder, mas também se opõe, no momento, a que a Autoridade Palestina assuma o controle do território. Em meio ao jogo político, o Conselho da Paz declarou que avaliará o anúncio por meio de "ações, não de promessas". Desde o início da trégua, em outubro passado, o Ministério da Saúde local relata que ao menos 1.072 palestinos morreram em Gaza, enquanto o exército israelense registrou seis baixas no mesmo período.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.