Argentina aprova reforma trabalhista que amplia jornada para até 12 horas diárias

Mudanças aprovadas pelo governo Milei vão na contramão de debates sobre redução da carga horária em outros países da América Latina.

Publicado em 27 de maio de 2026 às 14:09

Presidente Javier Milei.
Presidente Javier Milei. Crédito: Stefan Wermuth/Bloomberg

Enquanto o Brasil discute propostas para o fim da escala 6x1 e redução da jornada semanal, a Argentina aprovou uma reforma trabalhista que flexibiliza regras e permite jornadas de até 12 horas por dia em alguns setores. As mudanças fazem parte do pacote econômico defendido pelo presidente Javier Milei.

A nova legislação altera pontos das relações de trabalho, amplia possibilidades de acordos entre patrões e empregados e reduz algumas garantias trabalhistas previstas anteriormente. Segundo o governo argentino, as medidas têm como objetivo estimular contratações e reduzir custos para empresas.

Entre os pontos que mais geraram repercussão está a autorização para escalas mais extensas, desde que haja compensação posterior das horas trabalhadas. Sindicatos e entidades trabalhistas criticaram a proposta e afirmam que a reforma representa perda de direitos históricos dos trabalhadores argentinos.

O debate ganhou destaque internacional porque acontece em meio a discussões em outros países sobre redução da jornada de trabalho e equilíbrio entre vida profissional e pessoal. No Brasil, por exemplo, propostas relacionadas ao fim da escala 6x1 e adoção de semanas com menos dias de trabalho vêm ganhando espaço nas redes sociais e no Congresso Nacional.

A reforma trabalhista faz parte de uma série de mudanças econômicas implementadas pelo governo Milei desde o início do mandato, incluindo cortes de gastos públicos, privatizações e flexibilização de regras econômicas.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.