Assassino de ex- primeiro ministro é condenado à prisão perpétua no Japão

Tetsuya Yamagami assassinou Abe em 2022, ao disparar contra o ex-líder com uma arma caseira enquanto ele discursava em via pública na cidade de Nara

Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 13:34

Tetsuya Yamagami assassinou Abe em 2022, ao disparar contra o ex-líder com uma arma caseira enquanto ele discursava em via pública na cidade de Nara
Tetsuya Yamagami assassinou Abe em 2022, ao disparar contra o ex-líder com uma arma caseira enquanto ele discursava em via pública na cidade de Nara Crédito: Reprodução 

O homem que matou o ex-primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, foi condenado à prisão perpétua nesta quarta-feira (21). A informação foi divulgada pela emissora pública japonesa NHK.

Tetsuya Yamagami assassinou Abe em 2022, ao disparar contra o ex-líder com uma arma caseira enquanto ele discursava em via pública na cidade de Nara, no oeste do país. O crime, cometido em plena luz do dia, chocou o Japão, uma nação conhecida pelas rígidas leis de controle de armas e pelos baixos índices de violência armada.

A sentença põe fim a um julgamento que se estendeu por anos e trouxe à tona discussões sensíveis, incluindo a influência de uma seita religiosa no país. Yamagami, hoje com 45 anos, foi preso no local do crime e formalmente acusado no ano seguinte por homicídio e porte ilegal de arma de fogo.

Durante o julgamento, os promotores pediram a pena máxima, classificando o assassinato como um “incidente extremamente grave e sem precedentes na história do pós-guerra do Japão”, segundo a agência Reuters. A defesa tentou uma condenação mais branda, alegando que o réu sofreu danos psicológicos e financeiros causados à sua família pela Igreja da Unificação, grupo religioso ao qual ele atribuía suas motivações.

Shinzo Abe havia deixado o cargo de primeiro-ministro em 2020 por problemas de saúde, mas seguia politicamente ativo e exercia grande influência no país. Ele foi o chefe de governo mais longevo da história do Japão, com mandatos entre 2006 e 2007 e, posteriormente, de 2012 a 2020.

Durante sua gestão, Abe promoveu mudanças significativas na política de segurança japonesa, flexibilizando a interpretação do caráter pacifista da Constituição e aprovando, em 2015, uma legislação que ampliou a atuação militar do país em apoio aos Estados Unidos. No cenário internacional, manteve relações próximas com Washington, buscou diálogo com Pequim e, ao mesmo tempo, trabalhou para conter a expansão chinesa na região do Pacífico.

O assassinato de Abe provocou comoção nacional e abalou o ambiente político japonês. Desde sua saída do poder, o país enfrenta instabilidade, com sucessivas trocas de liderança. O Partido Liberal Democrático (PLD), legenda de Abe que governou o Japão quase ininterruptamente nas últimas três décadas, atravessa uma crise marcada por escândalos envolvendo fundos secretos, alta da inflação e uma guinada política à direita.