Ataques à educação e nova escalada militar agravam crise entre Irã, EUA e Israel

Governo iraniano afirma que 310 estudantes e professores morreram desde o início da guerra.

Publicado em 7 de abril de 2026 às 12:43

Ataques à educação e nova escalada militar agravam crise entre Irã, EUA e Israel
Ataques à educação e nova escalada militar agravam crise entre Irã, EUA e Israel Crédito: Reprodução

Desde o início da guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, o sistema educacional iraniano tem sido um dos setores mais afetados pelo conflito. De acordo com o ministro da Educação do país, Alireza Kazemi, ao menos 310 estudantes e professores morreram e outras 210 pessoas ficaram feridas em ataques registrados nas últimas semanas. Além das vítimas, cerca de 750 escolas sofreram danos em diferentes regiões do país.

Segundo as autoridades iranianas, as províncias de Hormozgan, Markazi, Teerã e Azerbaijão Oriental concentram os maiores prejuízos à infraestrutura escolar. O governo afirma que os bombardeios atingiram diretamente unidades de ensino, ampliando o impacto humanitário da guerra sobre a população civil.

Um dos episódios mais graves ocorreu logo no primeiro dia do conflito, quando um bombardeio norte-americano atingiu uma escola primária em Minab, no sul do Irã. O ataque, segundo informações divulgadas por Teerã, deixou mais de 160 mortos, tornando-se um dos casos mais emblemáticos da ofensiva sobre áreas civis.

Diante do cenário, o Ministério das Relações Exteriores do Irã informou que acionou organismos internacionais, entre eles a UNESCO e o UNICEF, em busca de responsabilização jurídica e apoio às vítimas. A movimentação reforça a tentativa do governo iraniano de internacionalizar as denúncias sobre os danos causados ao setor educacional.

A crise, no entanto, vai além do impacto humanitário. Após o fracasso das negociações de paz mediadas pelo Paquistão, a tensão voltou a crescer nesta terça-feira (07). O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom ao ameaçar ampliar os ataques caso o Irã não reabra o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo.

Em resposta, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou que milhões de iranianos estão dispostos a defender o país. A Guarda Revolucionária também endureceu o discurso, afirmando que o estreito “não voltará a ser como antes”, especialmente para os interesses dos Estados Unidos e de Israel.

No campo militar, as Forças de Defesa de Israel informaram nesta terça-feira que realizaram um novo ataque contra um complexo petroquímico na cidade de Shiraz. Segundo o Exército israelense, o local seria utilizado na produção de materiais empregados em mísseis balísticos iranianos, o que marca mais um capítulo na escalada dos bombardeios contra infraestruturas consideradas estratégicas.