Binance sofre ataque hacker de US$ 6,3 bilhões

Empresas de análise apontam envolvimento de grupo ligado à Coreia do Norte; corretora suspendeu temporariamente saques e afirma que vai cobrir todas as perdas.

Publicado em 30 de outubro de 2026 às 08:32

Seu dinheiro está seguro, garante Binance após ataque hacker -
Seu dinheiro está seguro, garante Binance após ataque hacker - Crédito: iStock

A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo em volume de negociações, foi alvo de um ataque cibernético que movimentou aproximadamente US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 34 bilhões). O episódio, registrado na quinta-feira (29), é apontado por especialistas como o maior roubo já identificado no setor de criptomoedas.

De acordo com a empresa de inteligência 'blockchain TRM Labs', cerca de US$ 6,36 bilhões foram retirados de carteiras da plataforma distribuídas em dez redes diferentes. A maior parte das transferências ocorreu em aproximadamente 20 minutos. A análise também aponta que os responsáveis seriam integrantes do grupo TraderTraitor, associado à Coreia do Norte.

A atribuição, porém, é resultado de análises das empresas especializadas. A Binance informou que trabalha com autoridades e parceiros do setor para identificar os responsáveis, mas ainda não confirmou oficialmente a autoria do ataque.

Como aconteceu o ataque?

Em comunicado divulgado nesta sexta-feira (30), a Binance informou que a investigação inicial identificou uma possível invasão ao computador de um engenheiro de 'DevOps', profissional que atua na infraestrutura e nos processos de desenvolvimento de sistemas da empresa.

Segundo a corretora, o acesso teria permitido que o invasor alcançasse um ambiente interno e executasse transações de retirada não autorizadas. A empresa afirmou não ter encontrado evidências de vazamento das chaves privadas das carteiras.

Posteriormente, a Binance informou que a investigação identificou outros possíveis pontos de comprometimento, indicando que o ataque pode ter sido mais complexo do que a hipótese inicial. A empresa prometeu divulgar um relatório técnico detalhado após a conclusão das apurações.

A TRM Labs identificou movimentações em redes como Ethereum, Bitcoin, Tron, Solana e XRP Ledger, além de outras blockchains. A empresa também apontou semelhanças com operações anteriores atribuídas a grupos norte-coreanos, incluindo o roubo de aproximadamente US$ 1,5 bilhão da corretora Bybit, em fevereiro de 2025.

Cerca de US$ 3 bilhões foram congelados

Após identificar as movimentações, a Binance acionou empresas de análise blockchain, emissores de stablecoins e parceiros do mercado para rastrear e bloquear os recursos.

A corretora informou que aproximadamente US$ 3 bilhões em ativos relacionados ao incidente já foram congelados. A TRM Labs, por sua vez, estimou que as ações de bloqueio realizadas por diferentes empresas e participantes do setor alcançaram cerca de US$ 2,7 bilhões em ativos na rede, considerando os dados de sua análise.

Entre as empresas que participaram das medidas estão 'Tether', responsável pela emissão da USDT, e Circle, emissora da USDC. A 'Tether' informou ter congelado aproximadamente US$ 1,6 bilhão relacionado ao possível ataque, enquanto a 'Circle' comunicou o bloqueio de mais de US$ 800 milhões em ativos.

Mesmo com os bloqueios, uma parcela significativa dos recursos ainda permanece sob controle dos invasores. A Binance não detalhou individualmente o destino dos valores que ainda não foram recuperados ou congelados.

Binance promete cobrir todas as perdas

A corretora afirmou que os fundos dos usuários estão seguros e que assumirá integralmente os prejuízos provocados pelo incidente. Segundo a empresa, a cobertura será feita com recursos do fundo de proteção SAFU e do próprio caixa da companhia.

Como medida preventiva, depósitos e saques foram temporariamente suspensos em determinadas redes enquanto a plataforma realiza verificações de segurança. Em atualização publicada nesta sexta-feira, a Binance informou que os depósitos continuam funcionando normalmente e que espera restabelecer os saques em até 48 horas.

A empresa também afirmou que está trabalhando com autoridades policiais e parceiros do setor para rastrear os ativos e identificar os responsáveis.

Maior que o ataque à Bybit

O episódio supera o ataque contra a Bybit, ocorrido em fevereiro de 2025, quando hackers levaram aproximadamente US$ 1,5 bilhão em criptomoedas. Na ocasião, o FBI atribuiu a operação ao grupo 'TraderTraitor', ligado à Coreia do Norte.

Segundo a 'TRM Labs', as características observadas na invasão à Binance apresentam semelhanças com ataques anteriores associados ao mesmo grupo. A empresa declarou ter alto grau de confiança na atribuição, embora a investigação ainda esteja em andamento.

A repercussão do ataque também atingiu o mercado de criptomoedas. A agência Associated Press informou que o bitcoin e outros ativos digitais registraram quedas após a divulgação do incidente, em meio à preocupação dos investidores com a segurança das grandes corretoras.

A Binance afirma que continuará atualizando os usuários sobre a investigação e promete divulgar informações técnicas mais detalhadas quando as medidas de segurança forem concluídas.

Texto por Pedro Moraes.