Bombardeio militar atinge mercado e deixa mais de 100 mortos na Nigéria

Ataque aéreo aconteceu na região de Jilli, entre os estados de Yobe e Borno.

Publicado em 13 de abril de 2026 às 08:34

Bombardeio militar atinge mercado e deixa mais de 100 mortos na Nigéria
Bombardeio militar atinge mercado e deixa mais de 100 mortos na Nigéria Crédito: Reprodução/Redes sociais

Pelo menos 100 civis morreram após um bombardeio realizado por aeronaves militares da Nigéria atingir um mercado semanal na região de Jilli, no nordeste do país, neste domingo (12). O ataque aconteceu em uma área próxima à divisa entre os estados de Yobe e Borno, território que há anos convive com a violência provocada pelo grupo extremista Boko Haram. Testemunhas, organizações de direitos humanos e lideranças locais apontam que o número de vítimas pode ser ainda maior, com estimativas que chegam a 200 mortos e feridos.

Segundo relatos reunidos pela Anistia Internacional, o alvo do bombardeio seria uma base usada por integrantes do Boko Haram nas proximidades do mercado. No entanto, as explosões atingiram diretamente a área onde comerciantes e moradores realizavam as atividades do dia. A entidade informou que ao menos 35 pessoas foram socorridas em estado grave e encaminhadas ao Hospital Geral de Geidam. Entre as vítimas, haveria crianças e trabalhadores que estavam no local no momento do ataque.

A administração do estado de Yobe reconheceu que civis foram atingidos durante a ação militar. Em nota, o assessor militar do governo estadual, general Dahiru Abdulsalam, confirmou que pessoas presentes na feira semanal foram afetadas, mas não detalhou oficialmente o número de mortos. Já a Força Aérea Nigeriana afirmou que a operação foi uma ação de precisão contra posições classificadas como “enclave terrorista” e centro logístico do Boko Haram, sem mencionar, inicialmente, as mortes de civis.

Incidentes semelhantes já ocorreram nos últimos anos durante operações contra grupos armados que atuam em áreas florestais e regiões remotas do norte nigeriano. Levantamentos de agências internacionais indicam que, desde 2017, ao menos 500 civis morreram em bombardeios classificados como erros operacionais ou falhas de inteligência.

A região segue sendo um dos principais focos da insurgência jihadista no continente africano. Desde 2009, o Boko Haram e, posteriormente, a facção dissidente ligada ao Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP), intensificaram ataques contra comunidades, forças de segurança e centros urbanos, deixando milhares de mortos e milhões de deslocados ao longo dos anos.

Diante da dimensão do caso, a Anistia Internacional cobrou uma apuração imediata, independente e imparcial para identificar responsabilidades e garantir que os envolvidos respondam pelo episódio. A pressão também cresce entre moradores e lideranças locais, que pedem respostas sobre como uma operação militar em uma zona civil resultou em uma das maiores tragédias recentes da região.