Brasil contrasta com mobilização internacional para repatriar civis da zona de conflito

Com espaço aéreo fechado em parte da região após ataques ao Irã, governos já fretam voos e enviam equipes consulares.

Publicado em 4 de março de 2026 às 09:21

Brasil contrasta com mobilização internacional para repatriar civis da zona de conflito
Brasil contrasta com mobilização internacional para repatriar civis da zona de conflito Crédito: Reprodução/TV Globo

O agravamento do conflito no Oriente Médio, intensificado após ações militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, provocou o fechamento parcial do espaço aéreo em diferentes áreas da região e deixou milhares de estrangeiros sem conseguir embarcar de volta para casa. Diante do cenário, diversos países já colocaram em prática ou anunciaram planos de repatriação.

O Brasil, até o momento, não divulgou comunicado oficial sobre a retirada de cidadãos brasileiros que vivem ou estão temporariamente nos locais afetados.

Uma consulta aos canais oficiais do Ministério das Relações Exteriores não aponta, até agora, qualquer nota específica sobre operação de retorno em larga escala. Enquanto isso, governos da Europa, da Ásia e da Oceania mobilizam aeronaves militares, voos fretados e reforço consular nas fronteiras terrestres.

Na Europa, a França prepara uma série de voos para retirar cidadãos, além de enviar equipes às divisas de Israel com Egito e Jordânia para auxiliar quem tenta sair por terra. A Alemanha planeja fretar aeronaves da Lufthansa a partir de cidades como Riad e Mascate, priorizando pessoas em situação de maior vulnerabilidade, como crianças, grávidas e pessoas com deficiência.

A Itália já recebeu um primeiro grupo de nacionais que estavam em Omã ou que foram deslocados de Dubai para embarcar. A Espanha trouxe mais de 175 cidadãos em voo partindo de Abu Dhabi e reforçou suas representações diplomáticas no Golfo para acelerar novos retornos. O Reino Unido anunciou voos fretados com prioridade para britânicos considerados mais vulneráveis.

Outros países também se movimentam. A Austrália informou que negocia alternativas com companhias aéreas para auxiliar seus cidadãos, embora reconheça que a retomada plena das operações depende da reabertura do espaço aéreo. A Grécia confirmou a chegada de voo com nacionais vindos de Omã, enquanto a Romênia já retirou centenas de pessoas que deixaram Israel por via terrestre.

Na Ásia, o governo das Filipinas afirmou que organizará voos assim que houver condições de segurança, após registrar pedidos formais de trabalhadores migrantes que desejam retornar. Já os Emirados Árabes Unidos anunciaram a criação de voos especiais para ajudar parte dos passageiros retidos a deixar o país.

Há também governos que optaram, por ora, por não organizar grandes operações. A Holanda declarou não ter plano imediato de evacuação, e a Suíça informou que não promoverá retiradas organizadas de seus cidadãos na região. O próprio governo dos Estados Unidos recomendou que americanos deixem imediatamente diversos países do Oriente Médio utilizando meios comerciais disponíveis.

O aumento da tensão elevou o nível de alerta diplomático e trouxe incerteza para quem vive, trabalha ou faz turismo na região. Sem voos regulares em parte do território afetado, muitos dependem de corredores terrestres e conexões em países vizinhos para conseguir embarcar.

Enquanto outras nações detalham datas, rotas e prioridades de embarque, o governo brasileiro ainda não tornou pública qualquer estratégia de retirada organizada. A ausência de um posicionamento oficial deixa brasileiros no Oriente Médio à espera de orientações sobre como proceder em meio à escalada do conflito.