Brasil e EUA abrem debate decisivo em Washington sobre sobretaxa de 25% a produtos nacionais

Setor produtivo tenta reverter barreiras comerciais bilionárias em audiência pública que começa nesta segunda-feira (6).

Publicado em 6 de julho de 2026 às 08:53

Presidente Donald Trump.
Presidente Donald Trump. Crédito: Molly Riley/Official White House

O empresariado brasileiro e o governo dos Estados Unidos iniciam, às 11h (horário de Brasília) desta segunda-feira (6), uma rodada crucial de negociações na Comissão de Comércio Internacional, em Washington. O objetivo do setor privado nacional é tentar barrar ou suavizar a imposição de uma nova tarifa de 25% sobre as exportações do Brasil para o mercado americano.

A medida severa foi sugerida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) após uma investigação que acusa o Brasil de práticas que prejudicariam o comércio, usando como argumentos o sucesso do Pix, o mercado de etanol, o desmatamento, acordos preferenciais e até pirataria.

O encontro, que se estende até terça-feira (7), representa o último cartucho da indústria e do agronegócio antes do veredito final da Casa Branca, agendado para o próximo dia 15 de julho. A maratona de debates será dividida em 14 painéis temáticos, sendo sete realizados hoje e os outros sete amanhã, sempre começando no mesmo horário.

Para tentar sensibilizar o governo americano, uma forte coalizão que envolve desde gigantes do agronegócio a entidades industriais de peso terá que ser cirúrgica. Cada porta-voz inscrito, incluindo representantes da Fiesp, Sindifer, Abimaq e Centrorochas, além de consultorias e importadores americanos terá apenas cinco minutos para apresentar argumentos técnicos que demonstrem como o imposto pode quebrar cadeias produtivas e encarecer produtos para os próprios consumidores dos EUA. Após as falas, os participantes enfrentarão uma rodada de perguntas feita por técnicos do USTR.

A mobilização para esse "dia D" vem sendo desenhada há semanas. Os interessados precisaram correr com a burocracia para garantir uma cadeira na audiência, enviando pedidos de participação até o dia 22 de junho e protocolando relatórios escritos até o início de julho para embasar a defesa das exportações brasileiras.