Publicado em 3 de janeiro de 2026 às 21:47
A eurodeputada portuguesa e candidata à presidência de Portugal, Catarina Martins (BE), repudiou duramente o ataque anunciado pelos Estados Unidos contra a Venezuela e classificou a ação como uma grave violação do direito internacional. Segundo ela, trata-se de uma ocupação com interesses econômicos, especialmente ligados à exploração do petróleo venezuelano.
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“Invadiram um país soberano e raptaram um chefe de Estado. É Trump que explica, a quem tenta justificar o injustificável, que isto não é sobre democracia ou liberdade. É mesmo uma ocupação para explorar o petróleo venezuelano. Trump tem de ser travado”, afirmou Catarina Martins.>
A declaração foi feita à margem de uma visita ao Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens, em Olhão, no sul de Portugal, onde a candidata reagiu ao anúncio do presidente norte-americano, Donald Trump, de que os Estados Unidos vão “dirigir a Venezuela” até a conclusão de uma transição de poder, após um ataque realizado durante a madrugada.>
Para Catarina Martins, a comunidade internacional precisa reagir de forma firme. “Se a comunidade internacional não condenar veementemente o plano de Donald Trump e não reagir, estará a dizer que em qualquer ponto do mundo todas as ocupações são legitimadas”, alertou.>
A eurodeputada reconheceu que o governo de Nicolás Maduro enfrenta graves problemas, mas ressaltou que isso não justifica uma intervenção militar estrangeira. “Sabemos que o regime de Nicolás Maduro era um regime muito desfeito, não há nenhuma dúvida sobre isso, mas nada disso legitima o que Donald Trump está a anunciar”, afirmou.>
Defendendo que “os venezuelanos têm direito ao seu futuro”, Catarina Martins destacou que a comunidade internacional não pode permanecer em silêncio e deve exigir a retirada imediata das tropas norte-americanas do território venezuelano.>
Ela também fez um alerta sobre os precedentes que esse tipo de ação pode abrir no cenário global. “Se aceitarmos que Donald Trump pode ocupar a Venezuela e ficar com o seu petróleo, estaremos a aceitar que isto pode acontecer em qualquer parte do globo. Estaremos a legitimar, por exemplo, a ocupação da Ucrânia por Vladimir Putin ou até a possibilidade de uma entrada na Groenlândia”, disse, acrescentando que isso significaria aceitar a força como única regra do direito internacional.>
Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos anunciou um “ataque em grande escala” na Venezuela com o objetivo de capturar o chefe de Estado venezuelano, Nicolás Maduro, que teria sido retirado à força do país. O governo de Caracas denunciou uma “gravíssima agressão militar”, após explosões registradas durante a noite na capital, e decretou estado de exceção.>
Em pronunciamento oficial, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão assumir a condução do país até que uma transição de poder seja concluída e admitiu, inclusive, a possibilidade de uma segunda ofensiva militar, caso considere necessário.>