Colômbia reduz jornada de trabalho e desemprego atinge nível mais baixo: veja o que mudou

País vizinho cortou carga horária para 42 horas semanais de forma gradual.

Publicado em 17 de junho de 2026 às 17:42

Colômbia conclui um processo que reduziu a jornada máxima de trabalho de 48 para 42 horas semanais.
Colômbia conclui um processo que reduziu a jornada máxima de trabalho de 48 para 42 horas semanais. Crédito: Mateo G. Rivas

Enquanto o Brasil debate mudanças em sua legislação trabalhista, a Colômbia conclui um processo que reduziu a jornada máxima de trabalho de 48 para 42 horas semanais. A transição, iniciada em 2021 sob o governo de Iván Duque, levou cinco anos para ser concluída e apresenta resultados que desafiam previsões pessimistas, mantendo o mercado de trabalho local resiliente. No próximo dia 15 de julho, a implementação dessa redução atinge seu estágio final para os trabalhadores assalariados do país.

Diferente do que se discute no Brasil sobre o fim imediato da escala 6x1, o modelo colombiano apostou no gradualismo, permitindo que as empresas se adaptassem aos poucos ao longo de meia década. De acordo com o economista Stefano Farné, a recomendação internacional é evitar mudanças bruscas, garantindo que o setor produtivo consiga reorganizar seus processos. Além disso, a lei colombiana manteve a flexibilidade ao não estabelecer a obrigatoriedade de duas folgas semanais, permitindo que patrões e empregados negociem a distribuição das horas conforme a necessidade de cada setor.

A redução das horas gerou impactos reais no dia a dia da economia colombiana, impulsionando a criação de cerca de 787 mil novos postos de trabalho entre 2022 e 2025 apenas para compensar a diminuição da carga horária. Embora o desemprego esteja em níveis baixos, entidades empresariais como a Fenalco relatam que muitas empresas precisaram se adaptar fechando estabelecimentos mais cedo ou acelerando o investimento em automação de serviços para lidar com o aumento do custo unitário por trabalhador. O caso colombiano se soma ao exemplo do Chile, que também aprovou uma reforma para reduzir a jornada para 40 horas semanais com transição até 2028.

Especialistas apontam que a experiência desses vizinhos sul-americanos mostra que trabalhar menos é uma tendência mundial que não prejudica necessariamente a geração de empregos, desde que haja um planejamento que permita à economia absorver os novos custos produtivos sem gerar demissões em massa. Na Colômbia, a redução da jornada foi inclusive acompanhada por ganhos salariais reais para os trabalhadores, sem que houvesse corte nos vencimentos mensais.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.