Colonos israelenses atacam túmulo e forçam família palestina a exumar corpo na Cisjordânia

ONU classifica o episódio como um exemplo drástico de desumanização.

Publicado em 11 de maio de 2026 às 09:56

Colonos israelenses atacam túmulo e forçam família palestina a exumar corpo na Cisjordânia
Colonos israelenses atacam túmulo e forçam família palestina a exumar corpo na Cisjordânia Crédito: Reprodução/Redes sociais

Em um episódio que chocou observadores internacionais pelo nível de hostilidade, uma família palestina foi obrigada a retirar o corpo de seu filho de uma sepultura recém-fechada no cemitério de Asasa, ao sul de Jenin. O caso, confirmado pelo exército de Israel neste sábado (9), ocorreu após um grupo de colonos israelenses invadir o local e começar a escavar o túmulo para profaná-lo, logo após o sepultamento realizado na última sexta-feira.

O cemitério fica situado a cerca de 300 metros de Sa Nur, um assentamento ilegal que foi restabelecido em abril de 2025 dentro do território palestino ocupado. Mesmo com o enterro tendo sido previamente autorizado e coordenado com as forças de segurança israelenses, a família não teve paz para velar seu ente querido. Diante da violência e da escavação iniciada pelos colonos, os parentes se viram forçados a levar o corpo para uma aldeia vizinha em busca de um descanso digno e seguro.

As forças militares de Israel afirmaram que enviaram soldados ao local após serem notificadas de um "confronto" entre os grupos. No entanto, embora tenham confiscado as ferramentas utilizadas pelos colonos para violar a cova, as tropas não impediram o abuso nem garantiram a permanência do corpo no local original. A saída encontrada pela família foi o exílio forçado até mesmo após a morte.

Ajith Sunghay, representante do Escritório de Direitos Humanos da ONU na região, expressou indignação com o ocorrido. Segundo o diretor, o ataque reflete um processo de desumanização que ultrapassa a barreira da vida, atingindo agora os mortos. Para Sunghay, a situação demonstra que o nível de violência nos territórios ocupados chegou a um ponto onde nem mesmo o luto e os ritos de passagem são respeitados.

Desde o retorno dos assentamentos em Sa Nur, a rotina dos moradores palestinos tornou-se ainda mais restritiva, exigindo permissões militares até para atos fúnebres. O episódio acirra as tensões na Cisjordânia, evidenciando a fragilidade dos direitos civis e a insegurança constante vivida pelas famílias que tentam manter suas tradições sob ocupação.