Cometa 3I/ATLAS intriga cientistas e levanta hipótese de origem alienígena, diz Harvard

Objeto vindo de fora do Sistema Solar surpreende por rota incomum, aceleração anômala e comportamento atípico; estudo sugere que pode ser uma sonda artificial.

Publicado em 24 de julho de 2025 às 14:08

Cometa 3I/ATLAS intriga cientistas e levanta hipótese de origem alienígena, diz Harvard
Cometa 3I/ATLAS intriga cientistas e levanta hipótese de origem alienígena, diz Harvard Crédito: Olivier Hainaut et al./Observatório Europeu do Sul

Um cometa com trajetória vinda de fora do Sistema Solar reacendeu uma das questões mais antigas da humanidade: estamos sozinhos no universo? Detectado no dia 1º de julho, o 3I/ATLAS, nome oficial do corpo celeste, chamou atenção por apresentar uma série de características raras que desafiam explicações convencionais. É apenas o terceiro objeto interestelar já observado cruzando o Sistema Solar.

Pesquisadores da Universidade de Harvard divulgaram um estudo preliminar (pré-print) no qual consideram, entre outras hipóteses, que o objeto possa ser uma sonda artificial projetada por uma civilização alienígena. Embora o próprio artigo classifique a proposta como especulativa, os autores defendem que certos elementos orbitais e dinâmicos do cometa fogem ao esperado para um corpo natural.

Trajetória incomum e aceleração inexplicável

De acordo com o estudo, a rota do 3I/ATLAS é altamente improvável de ter se formado ao acaso. O objeto passará, com precisão, pelas proximidades de Marte, Vênus e Júpiter, o que permitiria, teoricamente, a observação estratégica desses planetas. A chance estatística de essa rota ocorrer espontaneamente é estimada em menos de 0,005%.

O cometa também apresenta aceleração que não pode ser explicada apenas pelas forças gravitacionais do Sol ou dos planetas, um comportamento anteriormente registrado apenas no famoso 1I/‘Oumuamua, em 2017. Outro fator intrigante é a ausência de características tradicionais de cometas, como a liberação de gás e poeira, o que descarta parcialmente a hipótese de desintegração como causa da mudança de velocidade.

Simulações sugerem que, com ajustes mínimos de velocidade, o 3I/ATLAS poderia interagir diretamente com planetas do Sistema Solar. Para atingir a órbita terrestre, no entanto, o cálculo exigiria maior consumo de energia, embora a possibilidade não esteja totalmente descartada. Projeções indicam que ele poderá se aproximar da Terra entre o final de novembro e o início de dezembro de 2025.

Possível tecnologia ou fenômeno incomum?

Além do tamanho expressivo, cerca de 20 km de diâmetro, o cometa se distingue por sua inclinação orbital muito baixa, o que o torna ainda mais discreto em seu percurso. Em outubro, o objeto ficará brevemente oculto atrás do Sol em relação à Terra, justamente no período mais adequado para executar manobras de desaceleração orbital, caso fosse controlado de forma autônoma.

Entre as hipóteses levantadas, o estudo menciona o uso de velas solares, um tipo de propulsão teórica que aproveita a pressão da luz do Sol para movimentar objetos espaciais, tecnologia já estudada por engenheiros da Terra e, em tese, possível de ser usada por inteligências mais avançadas.

Os cientistas também aventam cenários em que o objeto estaria apenas cumprindo uma missão de monitoramento, ou até mesmo explorando o chamado “paradoxo da floresta escura”, conceito que sugere que civilizações inteligentes evitam contato umas com as outras para proteger sua existência.

Cautela e curiosidade

Apesar do tom ousado, os autores da pesquisa destacam que a hipótese de origem tecnológica é altamente improvável, mas consideram importante explorá-la por sua relevância científica e filosófica. O artigo funciona também como uma proposta de protocolo para futuras análises de objetos interestelares.

A investigação sobre o 3I/ATLAS está apenas no começo. Novas observações devem ser feitas nos próximos meses, e os astrônomos esperam obter mais dados para determinar a real natureza do visitante cósmico. Se confirmada alguma anomalia de origem não natural, o cometa poderá representar o primeiro contato documentado com um artefato extraterrestre.