Comunidade 3D venezuelana produz milhares de talas para vítimas dos terremotos

Mais de 8 mil talas 3D já entregues a hospitais e resgatistas em meio à pior crise sísmica dos últimos anos.

Publicado em 3 de julho de 2026 às 18:59

( A ação também se estendeu ao resgate de animais: talas veterinárias foram entregues à organização Vida Pets.)
( A ação também se estendeu ao resgate de animais: talas veterinárias foram entregues à organização Vida Pets.) Crédito: Redes Sociais/Instagram 

Enquanto o país ainda lida com as consequências dos devastadores terremotos de 24 de junho, uma rede de empreendedores, makers e voluntários encontrou na impressão 3D uma forma rápida e eficaz de ajudar no atendimento emergencial. Eles estão produzindo e distribuindo talas (imobilizadores) para fraturas, que já somam milhares de unidades entregues a hospitais e equipes de resgate.

A iniciativa partiu de Kevin Medina, criador do modelo das talas. “A ideia surgiu quando os voluntários perceberam a necessidade urgente de imobilizar fraturas e outros ferimentos nas áreas mais afetadas”, contou Medina. Diante da demanda imediata, a equipe lançou um apelo nas redes sociais para a comunidade de impressão 3D da Venezuela e para fabricantes internacionais.

A meta inicial era modesta: 1.000 talas. A resposta, porém, foi muito superior. Hoje, a rede de emergência reúne cerca de 1.700 pessoas em um grupo de WhatsApp, onde os arquivos digitais são compartilhados gratuitamente. Qualquer pessoa com impressora 3D pode baixar o modelo e produzir as peças.

Para que o material chegasse mais rápido aos necessitados, os organizadores optaram por entregar as talas diretamente a médicos, enfermeiros e brigadas de resgate, inclusive com treinamentos rápidos sobre o uso correto dos dispositivos. A ação também se estendeu ao resgate de animais: talas veterinárias foram entregues à organização Vida Pets.

Até o momento, cerca de 8.000 unidades foram distribuídas diretamente do centro de coleta em Altamira, na Grande Caracas. Outras milhares foram enviadas por colaboradores dentro e fora da Venezuela. Os pedidos chegam diretamente de profissionais de saúde que atuam nas zonas mais atingidas e informam a quantidade exata necessária.

Os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram o país no dia 24 de junho deixaram 2.595 mortos, mais de 12.400 feridos e dezenas de milhares de desabrigados, segundo os últimos balanços oficiais. O sistema de saúde, já fragilizado, enfrenta agora o desafio adicional de tratar um grande volume de fraturas e traumas ortopédicos.

Projetos como o de Kevin Medina e sua rede demonstram o poder da colaboração tecnológica e da sociedade civil em momentos de crise. Enquanto as equipes de resgate continuam trabalhando nos escombros, a impressão 3D se consolida como uma ferramenta essencial de ajuda humanitária.

Com informações do portal ao Metrópoles