Publicado em 11 de abril de 2026 às 14:44
Um menino de 9 anos foi descoberto na última segunda-feira (6), em condições chocantes dentro de uma van estacionada em Hagenbach, pequena comuna de cerca de 800 habitantes no Haut-Rhin, na Alsácia, nordeste da França. A criança estava nua, em posição fetal, sobre um monte de lixo e próximo a excrementos, visivelmente desnutrida e incapaz de andar após mais de um ano de confinamento.>
A descoberta ocorreu por volta das 21h, depois que uma moradora alertou os gendarmes ao ouvir “barulhos de criança” vindos do veículo, estacionado em uma área comum privada de um conjunto residencial. Ao abrir a van, os militares encontraram o menino pálido, coberto apenas por uma manta e sem forças para se levantar devido ao longo período na mesma posição.>
Segundo o procurador da República de Mulhouse, Nicolas Heitz, a criança não tomava banho desde o final de 2024, ou seja, há mais de um ano. Ele foi imediatamente hospitalizado em Mulhouse e, segundo as autoridades, está fora de perigo, mas em estado grave de desnutrição e debilidade física.>
Pai indiciado por sequestro e privação de cuidados>
O proprietário da van, um homem de 43 anos, foi preso em flagrante e indiciado nesta sexta-feira (10), pelos crimes de sequestro, detenção arbitrária de menor de 15 anos e privação de alimentos e cuidados essenciais que comprometeram a saúde da criança. Ele foi colocado em prisão preventiva.>
Durante o interrogatório, o pai admitiu ter mantido o filho na van desde novembro de 2024. Ele alegou que o fez “para protegê-lo”, afirmando que a companheira, de 37 anos, queria interná-lo em uma instituição psiquiátrica. O procurador ressaltou que não há qualquer elemento médico que justifique essa alegação.>
A companheira do homem também foi indiciada por cumplicidade, não denúncia de maus-tratos e não assistência a pessoa em perigo (menor de 15 anos). O casal vivia no mesmo imóvel com duas meninas, de 10 e 12 anos (filhas respectivas), que foram retiradas pela proteção à infância e colocadas sob tutela das autoridades.>
Vizinhos e moradores de Hagenbach expressaram choque e incredulidade. Muitos disseram não ter notado nada de anormal, acreditando que a criança havia voltado para a mãe biológica. “Nunca imaginaríamos algo assim”, comentaram residentes à imprensa local.>
A investigação continua para esclarecer todos os detalhes do calvário vivido pelo menino, que “desapareceu de um dia para o outro” sem que ninguém, aparentemente, tivesse dado o alarme.>
Com informações do portal O Globo>