Publicado em 27 de julho de 2026 às 22:37
O deputado democrata Jamie Raskin pediu esclarecimentos a Gianni Infantino, presidente da Fifa, sobre a relação mantida entre o cartola e o presidente norte-americano Donald Trump, segundo informações do "The Athletic", braço esportivo do "New York Times". Em carta, Reskin solicita que Infantino compareça ao Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes e pede uma lista de possíveis presentes entregues ao chefe de estado dos EUA pela entidade máxima do futebol.>
O deputado quer que a Fifa disponibilize todos os registros de contatos feitos com Trump até 9 de agosto de 2026, assim como o controle de visitantes dos escritórios da federação internacional de futebol em Miami e Nova York.>
Em um dos trechos da carta, divulgado pelo The Athletic, pede "uma lista de qualquer coisa de valor (incluindo transferência de dinheiro, presentes, prêmios, condecorações ou aparições públicas) dada ao presidente Trump, a membros de sua administração ou a seus familiares, ou a qualquer entidade associada a eles, como a Organização Trump".>
Em comunicado, o porta-voz da Casa Branca, David Ingle fez ataques pessoais a Raskin, a quem classificou como "a ideia que uma pessoa estúpida tem de uma pessoa inteligente", e exaltou a participação do governo Trump na organização da Copa do Mundo.>
"Graças à sua visão arrojada e liderança decisiva, a Copa do Mundo da FIFA de 2026 gerou bilhões de dólares em receita, impulsionou a economia das cidades-sede e proporcionou uma experiência segura e impecável para milhões de fãs e atletas do mundo todo. Sem dúvida, ficará marcada como um dos maiores e mais bem-sucedidos eventos esportivos da história", afirmou.>
Na prática, por enquanto, a carta de Raskin não obriga Infantino a atender os pedidos. Embora ele integre o Comitê Judiciário, não tem o poder de intimação, que precisa ir à votação para ser colocada em prática. Apenas os presidentes da Câmara e do Comitê Judiciário, os republicanos Mike Johnson e Jim Jordan, respectivamente, podem intimar pessoas de forma unilateral.>
O ato do democrata indica, contudo, a quantidade de questionamentos que a Fifa deve enfrentar, caso o partido consiga se tornar maioria na Câmara após as eleições de novembro de 2026. Nos EUA, todas as cadeiras de deputados e cerca de 35% das vagas de senadores são renovadas no meio do mandato de cada presidente, por meio das chamadas midterms.>
Hoje, os republicanos são maioria. Caso os democratas consigam inverter a situação, há a possibilidade de que Raskin assuma a presidência do Comitê Judiciário. Desta forma, poderia intimar Infantino e formalizar as investigações que pediu na carta divulgada pelo The Athletic, hoje apenas um documento de "supervisão".>
As relações entre Donald Trump e Gianni Infantino foram amplamente debatidas antes e durante a Copa do Mundo. O "Prêmio da Paz" entregue pela Fifa ao presidente norte-americano durante o sorteio dos grupos do Mundial, em dezembro de 2025, foi um dos episódios que escancarou a proximidade entre os dois.>
Durante a disputa do torneio, a dupla atraiu nova polêmica quando Trump ligou para Infantino reclamando do cartão vermelho aplicado pelo árbitro brasileiro Raphael Claus ao atacante Balogun, da seleção dos EUA, durante partida contra a Bósnia, na segunda fase. O jogador ficaria de fora das oitavas de final, contra a Bélgica, mas a Fifa decidiu anular o cartão, em decisão que garante ter sido "independente".>