EUA avaliam classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas após pressão de filhos de Bolsonaro

Designação estudada pelo Departamento de Estado pode acarretar sanções econômicas às facções brasileiras; governo Lula manifestou oposição à medida em contatos diplomáticos.

Publicado em 27 de março de 2026 às 16:45

EUA está considerando classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas. —
EUA está considerando classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas. — Crédito: Reprodução/Internet

O governo dos Estados Unidos está considerando classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas. Segundo reportagem do jornal "The New York Times", a possibilidade vem sendo discutida pelo Departamento de Estado norte-americano nas últimas semanas. A iniciativa ganhou força após contatos e pressão de filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro junto a integrantes do governo de Donald Trump.

Embora a Casa Branca ainda não tenha confirmado oficialmente a medida, a proposta está alinhada a uma campanha lançada por Trump para designar grupos criminosos da América Latina como organizações terroristas. Na prática, grupos que integram essa lista do Departamento de Estado sofrem severas restrições e sanções econômicas. Historicamente, Washington aplica essa classificação a cartéis mexicanos que impõem riscos diretos à segurança interna dos EUA, argumento que a Casa Branca utiliza para justificar tais ações.

A intenção de Washington foi comunicada formalmente pelo secretário de Estado, Marco Rubio, ao ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, durante uma cúpula recente com líderes aliados. Na ocasião, o governo brasileiro manifestou oposição à ideia e rejeitou o pedido de Rubio para que o Brasil adotasse classificação semelhante.

Essa movimentação ocorre em um contexto de tensões diplomáticas. No ano passado, Donald Trump chegou a impor tarifas a produtos brasileiros e sancionou o ministro do STF Alexandre de Moraes como retaliação ao julgamento de Jair Bolsonaro, embora tais medidas tenham sido revogadas após negociações entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A classificação de facções brasileiras como terroristas é vista como mais um desdobramento dessa complexa dinâmica política entre os dois países.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Cássio Leal.