Ex-servente de pedreiro, Alex Poatan é escalado por Trump para luta histórica em Washington

O brasileiro Alex Pereira enfrentará Ciryl Gane em evento histórico anunciado por Donald Trump.

Publicado em 9 de maio de 2026 às 18:26

Ex-servente de pedreiro, Alex Poatan é escalado por Trump para luta histórica em Washington
Ex-servente de pedreiro, Alex Poatan é escalado por Trump para luta histórica em Washington Crédito: Reprodução/Redes sociais

A trajetória de Alex "Poatan" Pereira é o tipo de história que parece escrita por roteiristas de Hollywood, mas que tem suas raízes fincadas no chão batido de São Bernardo do Campo. O lutador, que acaba de ser confirmado como a estrela principal de um card inédito nos jardins da Casa Branca, em julho, carrega nos punhos muito mais do que a força elogiada pelo próprio Donald Trump; ele carrega uma vida de superação extrema.

Antes de se tornar o pesadelo dos pesos-pesados e meio-pesados do UFC, Alex era apenas um jovem do bairro Batistini que abandonou os estudos na oitava série. Filho de pedreiro, ele começou a trabalhar aos 8 anos como servente e, aos 12, já era um profissional em uma borracharia local. Foi entre pneus de caminhão e tratores que Poatan desenvolveu a força física descomunal que hoje o coloca como "um dos maiores socos da história do esporte", conforme definiu Trump ao anunciar o duelo contra o francês Ciryl Gane.

O caminho para o sucesso não foi linear. Na adolescência, o ambiente da oficina o levou ao alcoolismo precoce. Aos 16 anos, a bebida era um hábito diário e uma barreira que parecia intransponível. A virada começou por acaso, após uma briga em um campo de futebol, onde sua potência física chamou a atenção de quem assistia.

Foi nas artes marciais que ele encontrou o motivo para ficar sóbrio. Orientado por seu primeiro mentor, Alex também resgatou suas origens ancestrais. Ao descobrir que seus avós eram da etnia Pataxó, adotou o nome "Poatan" que em tupi significa "mão de pedra" ou "mão forte". O compromisso definitivo com o esporte veio em 2012, quando decidiu nunca mais encostar no álcool para focar em sua evolução técnica.

A disciplina transformou o ex-borracheiro em um multicampeão de kickboxing e, posteriormente, em um fenômeno do MMA. No UFC, sua ascensão foi fulminante: em menos de três anos, Poatan nocauteou ídolos, conquistou cinturões e se tornou uma das figuras mais rentáveis e populares da organização, superando até a barreira do idioma.

Agora, o brasileiro se prepara para o que pode ser o cenário mais inusitado de sua carreira: lutar pelo cinturão interino dos pesos-pesados sob o olhar do presidente americano. Para quem já venceu a fome, o vício e a falta de perspectiva no ABC Paulista, o octógono da Casa Branca é apenas mais um dia de trabalho para o homem de mãos de pedra.