Fotojornalista do Washington Post é agredida por colonos israelenses na Cisjordânia

Heidi Levine foi hospitalizada após ser atacada por homens mascarados durante a colheita de azeitonas; testemunhas também relataram incêndios em oliveiras e agressões contra palestinos.

Publicado em 17 de outubro de 2026 às 11:31

Jornalista americana foi atacada - 
Jornalista americana foi atacada -  Crédito: Reprodução

A fotojornalista americana Heidi Levine, que trabalha para o jornal The Washington Post, ficou ferida nesta sexta-feira (16) após ser agredida por colonos israelenses na Cisjordânia. O ataque ocorreu nas proximidades das localidades de Turmus Ayya e Khirbet Abu Falah, e a profissional precisou ser levada a um hospital em Ramallah.

Imagens registradas por uma testemunha e obtidas pela agência Reuters mostram Levine caída no chão antes de receber ajuda de colegas. Já hospitalizada, ela relatou a jornalistas que foi cercada por dezenas de homens mascarados, armados com bastões de madeira e, possivelmente, barras de ferro.

“De repente vi mais de 50 homens mascarados. Eles carregavam bastões de madeira, e acho que também barras de ferro. Fui atacada, empurrada ao chão. Felizmente, eu estava usando meu colete à prova de balas e meu capacete; caso contrário, provavelmente nem estaria aqui, porque eles não paravam de me chutar, sem parar”, contou a jornalista.

Nas imagens divulgadas, Levine aparece com a mão esquerda enfaixada e curativos na perna. Segundo testemunhas ouvidas pela Reuters, aproximadamente 80 colonos participaram da ação. Além de agredir pessoas que estavam na região, alguns integrantes do grupo teriam utilizado botijões de gás para provocar incêndios em oliveiras próximas aos palestinos reunidos para colher azeitonas.

Os relatos também apontam que os homens, vestidos de preto e com os rostos cobertos, lançaram pedras contra moradores locais. Outra pessoa, além da jornalista, ficou ferida durante o episódio.

Moutaz Abdelhadi, agricultor palestino de 42 anos que presenciou o ataque em Abu Falah, afirmou que os moradores temem ser expulsos de suas casas em decorrência da violência.

“Os colonos querem nos atacar e nos expulsar de nossas casas”, declarou.

Segundo os relatos, a violência prosseguiu mesmo após a chegada de militares israelenses à área. Soldados teriam disparado gás lacrimogêneo na direção de palestinos, enquanto veículos passavam em alta velocidade pelo local.

Um fotógrafo da Reuters afirmou ter visto pelo menos um dos colonos portando uma arma. Em comunicado, as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) disseram que soldados e policiais de fronteira efetuaram disparos de advertência após chegarem à região. As forças israelenses acrescentaram que, em determinado momento, também atiraram na direção de uma pessoa que, segundo os militares, representava uma ameaça.

Na mesma nota, as IDF condenaram atos de violência contra civis e afirmaram que ações destinadas a provocar confrontos entre populações colocam em risco a segurança regional. “Ataques e atos de violência contra civis inocentes são graves e inaceitáveis”, declarou a instituição.

O Washington Post não havia respondido imediatamente ao pedido de comentário enviado pela Reuters sobre o caso.