Gaokao 2026: 12,9 milhões de estudantes na China enfrentam o 'vestibular mais difícil do mundo' com vigilância de IA

Exame nacional de admissão começou neste domingo (7) com tecnologia de ponta para evitar fraudes.

Publicado em 7 de junho de 2026 às 13:31

Participantes do gaokao de 2024 deixando um local de provas em Lengshuijiang, na China.
Participantes do gaokao de 2024 deixando um local de provas em Lengshuijiang, na China. Crédito: Xinhua/Governo Chinês

Teve início neste domingo (7) a edição de 2026 do Gaokao, o Exame Nacional de Admissão ao Ensino Superior da China, considerado um dos processos seletivos mais concorridos e rigorosos do planeta. Cerca de 12,9 milhões de estudantes estão inscritos para as provas, que ocorrem ao longo de vários dias e são decisivas para o futuro acadêmico e profissional no país.

Para garantir a integridade do exame, as autoridades chinesas reforçaram a fiscalização com o uso de sistemas inteligentes de monitoramento e vigilância por vídeo. A segurança inclui ferramentas capazes de identificar dispositivos eletrônicos proibidos, como celulares, relógios e óculos inteligentes. O Ministério da Educação também intensificou o combate a esquemas de fraude e publicidade enganosa de serviços educacionais.

Curiosamente, a inteligência artificial não foi apenas um alvo da fiscalização, mas também tema das provas: em Pequim, candidatos deveriam criar um slogan sobre IA para idosos, enquanto em Xangai o tema da redação foi o impacto da tecnologia na imaginação humana.

Apesar do alto número de inscritos, o Gaokao de 2026 registrou uma queda de aproximadamente 450 mil candidatos em relação ao ano anterior. Este é o segundo ano consecutivo de redução, fenômeno atribuído à diminuição da população de adolescentes e a uma mudança de comportamento, com mais jovens optando por cursos técnicos para uma inserção rápida no mercado de trabalho.

O cenário econômico também pressiona os estudantes: o desemprego entre jovens de 16 a 24 anos na China permanece acima de 16%. Paralelamente, especialistas notam uma mudança gradual na percepção das famílias, que começam a valorizar mais o equilíbrio entre o desempenho acadêmico e o bem-estar emocional dos jovens diante de um mercado de trabalho cada vez mais saturado.

O modelo de prova mais comum, conhecido como "3+1+2", exige que todos os alunos realizem exames de língua e literatura chinesa, matemática e uma língua estrangeira. Além disso, os candidatos escolhem uma área principal e duas disciplinas complementares entre opções como história, física, química e política. Os resultados, que geralmente variam entre 700 e 750 pontos, devem ser divulgados ainda no mês de junho.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Danielle Zuquim.