Publicado em 4 de junho de 2026 às 09:14
Em um movimento que redesenha as relações de poder na América Latina, o General Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, desembarcou na última quarta-feira (3) em Caracas. A visita histórica, que marca a primeira vez que a maior autoridade militar norte-americana vai oficialmente à Venezuela, teve como objetivo debater a segurança da região com integrantes do alto escalão do governo interino local. O foco central das reuniões foi alinhar a estabilidade do país e definir a atuação das Forças Armadas dos EUA na execução de uma estratégia de transição dividida em três fases, proposta pelo presidente Donald Trump.>
O encontro na capital venezuelana ocorreu justamente em um momento de ausência da presidente interina, Delcy Rodríguez. Na mesma quarta-feira, a governante pousou em Nova Délhi para uma viagem oficial de cinco dias à Índia. O destino asiático não é por acaso: o mercado indiano consolidou-se como o segundo maior comprador de petróleo da Venezuela no mês de maio, ficando atrás somente dos próprios Estados Unidos. Sob forte pressão de Washington, Rodríguez vem correndo contra o tempo para aprovar reformas profundas nas leis de mineração e hidrocarbonetos do país, criando um ambiente de negócios bem mais amigável e atraente para o dinheiro de investidores estrangeiros.>
Toda essa movimentação diplomática e militar reflete a virada radical que a política venezuelana sofreu no início do ano. Os laços entre Caracas e Washington, que passaram sete anos completamente rompidos, começaram a ser reatados no dia 5 de março. A reaproximação foi pavimentada após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro, ocorrida em 3 de janeiro durante uma megaoperação das forças militares dos Estados Unidos, que envolveu bombardeios em Caracas e arredores. Maduro segue preso em solo americano desde então.>
A ida do General Dan Caine a Caracas consolida uma presença militar americana cada vez mais frequente no território vizinho. Antes dele, o chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, Francis Donovan, já havia visitado a Venezuela em duas ocasiões após a queda de Maduro. A estratégia norte-americana para a região foi desenhada de forma clara por Donald Trump, que já declarou publicamente a intenção de seu governo em assumir as rédeas e o controle das operações envolvendo o valioso setor petrolífero venezuelano.>