Governo dos EUA justifica veto a árbitro na Copa: ‘conversando com pessoas ruins’

Eleito o melhor juiz da África em 2025, Omar Artan teve visto negado e foi deportado ao desembarcar nos Estados Unidos.

Publicado em 12 de junho de 2026 às 08:07

Governo dos EUA justifica veto a árbitro na Copa: ‘conversando com pessoas ruins’
Governo dos EUA justifica veto a árbitro na Copa: ‘conversando com pessoas ruins’ Crédito: Reprodução/Fifa

O sonho de fazer história no maior palco do futebol mundial se transformou em um caso de segurança internacional nos bastidores da Copa do Mundo de 2026. O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, considerado um dos principais nomes do apito no continente africano, foi barrado pelas autoridades de imigração ao desembarcar em solo norte-americano e acabou enviado de volta ao seu país de origem. O governo dos Estados Unidos quebrou o silêncio sobre o episódio e confirmou publicamente o veto ao profissional, justificando que a decisão foi tomada de forma correta e estratégica após o setor de inteligência detectar contatos recentes do juiz com indivíduos classificados como perigosos.

A posição oficial do país anfitrião foi detalhada por Andrew Giuliani, diretor executivo da força tarefa da Casa Branca para o Mundial, durante uma entrevista concedida à emissora de rádio britânica TalkSport. Sem revelar dados confidenciais, o porta-voz explicou que o profissional da Somália vinha mantendo diálogos muito recentes com "pessoas ruins" a respeito de supostas ações planejadas para acontecer dentro do território dos Estados Unidos. Giuliani chamou a atenção para o fato de Artan ser o único integrante da equipe de arbitragem de toda a Copa do Mundo, sem contar os profissionais nascidos no Irã a ter a entrada formalmente proibida pelas autoridades locais para a disputa deste torneio.

A exclusão interrompe de forma abrupta uma preparação rigorosa de quatro anos que vinha sendo realizada pelo árbitro, período em que ele participou ativamente de diversos workshops e cursos preparatórios de excelência promovidos pela Fifa em países como o Catar e os Emirados Árabes Unidos. O prestígio de Omar Artan no cenário esportivo estava em alta, consolidado principalmente após ele comandar a grande final da Liga dos Campeões da África entre o Pyramids, do Egito, e o Mamelodi Sundowns, da África do Sul, desempenho que lhe rendeu o prêmio de melhor árbitro do continente na temporada de 2025.

De acordo com relatos trazidos pelo jornalista esportivo Micky Jnr, especialista na cobertura do futebol africano, a saga de Artan para tentar trabalhar no torneio foi complexa desde o início, envolvendo uma maratona de voos que começou no Quênia, passou pela Turquia e terminou na alfândega americana. Mesmo contando com o suporte diplomático e a intervenção direta da embaixada da Somália após ser retido no aeroporto, o profissional não conseguiu reverter o parecer do serviço migratório. Com a manutenção do bloqueio, o país africano perde a chance de ter, pela primeira vez em sua história, um representante do apito comandando os gramados de uma Copa do Mundo.