Governo Espriella encerra jornalismo da mídia pública na Colômbia

Emissoras da Paz passaram a transmitir apenas música após suspensão de notícias e programas locais; governo diz que vai revisar conteúdos e contratos

Publicado em 23 de agosto de 2026 às 08:22

Governo Espriella encerra jornalismo da mídia pública na Colômbia 
Governo Espriella encerra jornalismo da mídia pública na Colômbia  Crédito: Foto: Presidência da Colômbia via EFE 

O governo do presidente Abelardo De la Espriella suspendeu a programação de notícias e opinião das emissoras públicas da Colômbia e determinou uma revisão dos conteúdos produzidos pelo sistema estatal de comunicação. A medida atingiu as 20 Emissoras da Paz e 11 emissoras descentralizadas da Radio Nacional de Colombia.

Desde terça-feira (18), as Emissoras da Paz passaram a transmitir apenas programação musical centralizada em Bogotá. Com a mudança, os conteúdos jornalísticos e comunitários produzidos nas próprias regiões foram retirados do ar.

A decisão ocorreu após a posse de De la Espriella, em 7 de agosto, e a nomeação de Ángela María Mora para comandar a Inravisión, nome atualmente utilizado pelo sistema público de mídia colombiano.

Segundo o governo, a revisão tem como objetivo reorganizar a comunicação estatal e construir um sistema considerado “plural, independente e transparente”. Também estão sendo analisados contratos, convênios e formatos mantidos pela empresa pública.

Emissoras da Paz

As 20 Emissoras da Paz foram criadas após o acordo de paz firmado em 2016 entre o governo colombiano e as antigas Farc. As rádios têm como objetivo levar informação e conteúdos voltados às comunidades de regiões afetadas pelo conflito armado.

A programação incluía notícias locais, questões ambientais, cultura, música e assuntos relacionados às comunidades rurais, indígenas, afrodescendentes e camponesas.

A suspensão também deixou em dúvida a situação de cerca de 105 jornalistas e técnicos que trabalham nas emissoras. Parte dos profissionais possui contratos válidos até outubro, mas ainda não sabe se haverá renovação.

A decisão foi criticada pela Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP), pela Missão de Observação Eleitoral (MOE) e pela Associação Mundial de Rádios Comunitárias (AMARC).

As entidades afirmam que a centralização da programação pode dificultar o acesso da população a informações sobre os próprios territórios. Segundo as organizações, as Emissoras da Paz alcançam mais de 463 mil pessoas, principalmente em áreas rurais.

As entidades pediram que o governo restabeleça a programação informativa e regional enquanto realiza a revisão administrativa e editorial do sistema público.