Publicado em 27 de outubro de 2026 às 13:41
O governo da Argentina informou que não pretende divulgar nenhum comunicado oficial para parabenizar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por sua vitória nas eleições presidenciais brasileiras. Com a decisão, Javier Milei tornou-se o único chefe de Estado da América do Sul a não cumprimentar o candidato reeleito.>
Durante coletiva à imprensa argentina, o porta-voz presidencial Adrián Ravier declarou que o governo tomou conhecimento do resultado do pleito, mas justificou o silêncio alegando falta de reciprocidade em 2023. Segundo o porta-voz, Lula não cumprimentou Milei pessoalmente quando o argentino venceu as eleições. Na época do pleito argentino, em novembro de 2023, Lula fez uma publicação na rede social X desejando boa sorte ao novo governo e afirmando que o Brasil estaria à disposição dos argentinos, sem citar Milei nominalmente.>
A postura do governo argentino contrasta com a reação de todos os demais mandatários e líderes da América do Sul, que reconheceram o resultado e felicitaram o presidente brasileiro. Integrantes de governos de direita e aliados de Donald Trump no continente, como Abelardo de La Espriella (Colômbia), Daniel Noboa (Equador), José Antonio Kast (Chile), Keiko Fujimori (Peru) e Rodrigo Paz (Bolívia), estenderam cumprimentos e defenderam a cooperação bilateral.>
Também parabenizaram o presidente reeleito os chefes de Estado Yamandú Orsi (Uruguai), Delcy Rodríguez (Venezuela), Santiago Peña (Paraguai), Irfaan Ali (Guiana) e Jennifer Geerlings-Simons (Suriname).>
Durante o período eleitoral no Brasil, Milei declarou apoio público à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) e proferiu críticas a Lula. Em eventos e entrevistas anteriores, o presidente argentino chegou a chamar o líder brasileiro de "ladrão corrupto" e "presidiário", além de direcionar ofensas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O episódio levou o Itamaraty a convocar o embaixador argentino em Brasília e chamar para consultas o diplomata brasileiro em Buenos Aires.>
Apesar do desgaste diplomático e político entre os governantes, Brasil e Argentina mantêm forte integração econômica no âmbito do Mercosul. Segundo dados do governo argentino, o Brasil figurou em 2025 como o principal destino das exportações do país vizinho, movimentando mais de US$ 12,8 bilhões, e a maior origem de suas importações, somando US$ 18,4 bilhões em produtos comprados.>