Homem é encontrado enterrado em forno de 4,5 mil anos na Alemanha e intriga cientistas

Arqueólogos investigam se morte foi causada por assassinato, guerra ou ritual de sacrifício.

Publicado em 18 de junho de 2026 às 17:55

Homem de cerca de 25 anos enterrado em uma antiga estrutura subterrânea utilizada como forno há aproximadamente 4,5 mil anos. 
Homem de cerca de 25 anos enterrado em uma antiga estrutura subterrânea utilizada como forno há aproximadamente 4,5 mil anos.  Crédito: State Office for Heritage Management e Archaeology Saxony-Anhalt

Arqueólogos que realizam escavações no leste da Alemanha encontraram os restos mortais de um homem de cerca de 25 anos enterrado em uma antiga estrutura subterrânea utilizada como forno há aproximadamente 4,5 mil anos. A descoberta ocorreu perto da cidade de Gerstewitz, no estado da Saxônia-Anhalt, durante escavações preventivas realizadas antes da construção de uma linha de transmissão de energia elétrica.

O esqueleto foi localizado em uma cavidade formada por duas câmaras interligadas, originalmente usada pela Cultura da Cerâmica Cordada, grupo que ocupou partes da Europa entre 2900 a.C. e 2050 a.C.. O corpo estava posicionado em atitude fetal, deitado sobre o lado direito e voltado para o sul, o que é considerado uma característica típica dos sepultamentos masculinos desse grupo cultural. No entanto, o local escolhido para o enterro é considerado extremamente incomum, pois estruturas desse tipo normalmente não contêm restos humanos.

A condição dos restos mortais levantou suspeitas imediatas, uma vez que exames iniciais identificaram uma lesão no crânio do jovem. Diante desse indício, os pesquisadores trabalham com três hipóteses principais: o homem pode ter sido vítima de um assassinato, pode ter morrido em um conflito e sido enterrado às pressas em uma estrutura já existente, ou o sepultamento pode estar relacionado a um ritual.

A linha de investigação sobre um possível contexto cerimonial ganha força porque fornos semelhantes dessa mesma cultura já foram encontrados contendo esqueletos completos de bovinos ou restos de cães desmembrados, interpretados como oferendas rituais. O sítio arqueológico de Gerstewitz possui um histórico de ocupação que se estende por 6 mil anos, revelando desde montes funerários até restos de casas queimadas e poços com depósitos de ossos. Agora, os cientistas aguardam análises laboratoriais para tentar esclarecer a identidade do homem e as circunstâncias exatas de sua morte.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.