Irã ameaça reagir militarmente se Israel voltar a atacar Beirute

Governo iraniano afirma que ofensivas contra a capital do Líbano podem comprometer negociações e provocar nova escalada no conflito regional.

Publicado em 3 de junho de 2026 às 17:37

Governo iraniano afirma que ofensivas contra a capital do Líbano podem comprometer negociações e provocar nova escalada no conflito regional.
Governo iraniano afirma que ofensivas contra a capital do Líbano podem comprometer negociações e provocar nova escalada no conflito regional. Crédito: Reprodução 

Nesta quarta-feira (3), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o país está preparado para responder militarmente caso Israel volte a realizar ataques contra Beirute, capital do Líbano. A declaração ocorre em meio às negociações sobre a crise no Oriente Médio e após uma nova trégua firmada entre as partes envolvidas.

Em entrevista à mídia estatal iraniana, Araghchi declarou que as conversas indiretas com os Estados Unidos, mediadas pelo Paquistão, continuam em andamento. No entanto, segundo ele, ainda não houve avanços significativos nas negociações.

O chanceler afirmou que Teerã deixou claro aos interlocutores internacionais que considera qualquer novo ataque israelense a Beirute uma linha vermelha. Segundo o ministro, as Forças Armadas iranianas estão prontas para reagir caso a capital libanesa volte a ser alvo de ofensivas.

A interrupção das operações militares israelenses no Líbano tem sido uma das principais exigências do Irã nas discussões envolvendo os Estados Unidos. O governo iraniano defende que o fim das ações militares é essencial para o avanço de qualquer entendimento diplomático na região.

Os confrontos tiveram início quando Israel passou a realizar ataques contra posições do grupo Hezbollah no território libanês. O Hezbollah, organização apoiada pelo Irã, também promoveu ações contra alvos israelenses, ampliando a tensão entre os dois lados.

Em abril, os Estados Unidos mediaram um cessar-fogo entre as partes. O acordo chegou a ser prorrogado por 45 dias, mas, segundo relatos das partes envolvidas, a trégua enfrentou sucessivas violações ao longo do período.

Nas últimas semanas, a situação voltou a se agravar com o avanço das operações militares israelenses em áreas do Líbano e com declarações sobre a possibilidade de novas ações contra Beirute.

Diante do aumento da pressão internacional, representantes dos dois lados concordaram com uma nova trégua anunciada na segunda-feira (1), após mediação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Apesar do acordo, as declarações do governo iraniano indicam que a situação segue delicada e que qualquer novo ataque à capital libanesa poderá aumentar novamente as tensões no Oriente Médio.