Publicado em 16 de março de 2026 às 11:35
Uma nova etapa da guerra no Oriente Médio começou nesta segunda-feira (16), quando as forças militares de Israel anunciaram o início de incursões terrestres limitadas no sul do Líbano. A operação tem como alvo áreas consideradas estratégicas do grupo armado Hezbollah e busca reforçar a segurança na fronteira norte israelense.>
De acordo com o comando militar israelense, as ações fazem parte de uma estratégia para consolidar uma linha defensiva mais avançada na região. A ofensiva inclui o desmonte de estruturas utilizadas pelo Hezbollah e a neutralização de combatentes que atuam próximos à fronteira. A medida, segundo o governo, pretende reduzir riscos para moradores de cidades israelenses situadas no norte do país.>
Antes da entrada de tropas em território libanês, Israel intensificou ataques aéreos e disparos de artilharia contra alvos considerados ligados ao grupo. O Líbano passou a integrar diretamente o conflito no início de março, após um ataque do Hezbollah contra Israel. A ofensiva foi apresentada pelo movimento como uma resposta à morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, que morreu em 28 de fevereiro após um bombardeio israelense na capital iraniana, Teerã.>
Desde então, a reação militar israelense provocou uma onda de bombardeios no território libanês. Autoridades locais afirmam que cerca de 850 pessoas morreram e mais de 830 mil foram obrigadas a deixar suas casas. Outros 130 mil moradores estão sem abrigo. A região de fronteira já havia enfrentado deslocamentos em massa durante confrontos anteriores entre Israel e Hezbollah, ocorridos entre 2023 e 2024.>
A escalada também atingiu a capital libanesa. Na noite de domingo (15), aviões israelenses voltaram a atacar áreas da periferia sul de Beirute, pouco após o Exército emitir alerta para que moradores deixassem determinados bairros. No sul do país, soldados da missão de paz da Organização das Nações Unidas foram alvo de disparos, segundo a Força Interina das Nações Unidas no Líbano.>
No mesmo dia, um ataque aéreo israelense matou um dirigente do Hamas no sul do Líbano, informou o próprio movimento palestino, aliado do Hezbollah. O grupo afirmou ainda ter respondido com o lançamento de um míssil de longo alcance contra uma base aérea no centro de Israel.>
Os confrontos também ultrapassaram as fronteiras libanesas e israelenses. Em Teerã, novas explosões foram registradas ao meio-dia desta segunda-feira após uma sequência de ataques durante a madrugada. O governo iraniano classificou os bombardeios contra depósitos de combustível na cidade como uma violação do direito internacional e um ato de destruição ambiental. A denúncia foi feita pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi.>
Enquanto isso, o Irã intensificou ofensivas contra alvos ligados aos Estados Unidos em países vizinhos do Golfo. Infraestruturas civis estratégicas também foram atingidas, incluindo aeroportos, portos e instalações petrolíferas.>
Um dos episódios mais críticos ocorreu nos Emirados Árabes Unidos. O Aeroporto Internacional de Dubai precisou interromper suas atividades por várias horas após um ataque com drone provocar incêndio em um tanque de combustível. Outro equipamento semelhante atingiu a zona industrial petrolífera de Fujairah, próxima ao estratégico Estreito de Ormuz, rota fundamental para o transporte global de petróleo e gás.>
A tensão também alcançou a Arábia Saudita, que informou ter interceptado 61 drones na região leste do país. Em meio à instabilidade, os preços internacionais do petróleo dispararam desde o início do conflito, embora apresentem sinais recentes de estabilização em torno de 100 dólares por barril.>
Para conter impactos no mercado energético, países integrantes da Agência Internacional de Energia decidiram liberar 400 milhões de barris de suas reservas estratégicas, a maior ação do tipo em meio século de existência da entidade. O Japão, altamente dependente de petróleo do Oriente Médio, já começou a utilizar parte de seus estoques nacionais, equivalentes a cerca de 15 dias de consumo.>
A situação também mobiliza lideranças internacionais. Em entrevista ao Financial Times, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu que a OTAN e a China enviem navios de guerra para patrulhar o Estreito de Ormuz, por onde passa aproximadamente um quinto do petróleo transportado no mundo.>
Trump afirmou ainda que Washington avalia escoltar navios petroleiros na região. Ao mesmo tempo, disse manter conversas sobre um possível encerramento da guerra com o governo iraniano, embora o país ainda não tenha confirmado qualquer negociação formal.>
Na esfera diplomática europeia, o presidente da França, Emmanuel Macron, declarou ter conversado com o presidente iraniano Massoud Pezeshkian e pediu a interrupção imediata de ataques realizados diretamente ou por milícias aliadas. Segundo Macron, a escalada militar coloca toda a região em risco e pode gerar consequências duradouras para a estabilidade internacional.>
O cenário atual mantém o Oriente Médio em alerta máximo, com temores de que o conflito se amplie ainda mais e envolva novos países nos próximos dias.>