Publicado em 31 de janeiro de 2026 às 11:15
Jurados começaram na sexta-feira (30), no estado da Virgínia, nos Estados Unidos, as deliberações no julgamento de Brendan Banfield, ex-agente de fiscalização do IRS, órgão equivalente à Receita Federal norte-americana. Ele é acusado de conspirar com a babá da família, a brasileira Juliana Peres Magalhães, com quem mantinha um relacionamento extraconjugal, para assassinar a própria esposa e tentar atribuir o crime a um estranho.
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Segundo a acusação, Banfield teria passado meses planejando a morte de Christine Banfield para poder ficar com Juliana, que hoje é a principal testemunha da promotoria. A brasileira depôs no início do mês e afirmou que ambos criaram um perfil falso em nome da esposa em uma rede social voltada a fetiches sexuais, com o objetivo de atrair Joe Ryan até a casa da família, em 24 de fevereiro de 2023, para um encontro que envolveria o uso de uma faca.>
De acordo com os promotores, Banfield e Juliana atiraram em Ryan e forjaram uma cena para que ele parecesse um predador sexual que teria atacado Christine durante o encontro. A esposa, enfermeira de uma UTI pediátrica, morreu após sofrer golpes fatais de faca no pescoço. Promotoria e defesa concordam que ambos dispararam contra Ryan.>
Em depoimento, Brendan Banfield negou qualquer conspiração e disse que atirou em Ryan para impedir que ele esfaqueasse sua esposa. Ele também afirmou que, apesar de infidelidades ao longo dos 19 anos de relacionamento, o casal havia decidido manter o casamento após terapia. Caso seja condenado pelos assassinatos, ele pode pegar prisão perpétua.>
Além do duplo homicídio, Banfield responde por acusações de abuso infantil e crueldade infantil qualificada, já que a filha do casal, então com quatro anos, estava no porão da casa no momento dos crimes.>
Nas alegações finais, a promotora Jenna Sands afirmou que o caso não se baseia apenas no depoimento de Juliana, apontando uma “profusão de provas”, incluindo análises de manchas de sangue que indicariam que o sangue de Christine pingou sobre Ryan. A defesa, conduzida pelo advogado John Carroll, rebateu, classificando a versão da promotoria como uma “história fantasiosa”, e apresentou peritos que consideraram as evidências de sangue inconclusivas.>
A defesa também questionou a credibilidade de Juliana Magalhães, sustentando que ela teria moldado seu depoimento para reduzir sua própria pena. Inicialmente acusada de homicídio, ela se declarou culpada em 2024 de homicídio culposo e será sentenciada após o julgamento de Banfield, podendo receber pena equivalente ao tempo já cumprido.>
Juliana afirmou em juízo que decidiu colaborar para que “a verdade viesse à tona”, relatando sentimentos de culpa e vergonha. Durante o julgamento, a defesa também levantou dúvidas sobre provas digitais, atuação policial e contradições no depoimento de Brendan, incluindo contestação de sua versão sobre compromissos de trabalho no dia dos assassinatos.>
Com o fim dos debates, cabe agora ao júri decidir se Brendan Banfield é culpado pelas mortes e pelos demais crimes relacionados ao caso. >