Justiça argentina exige que governo preserve imagens da passagem de Flávio Bolsonaro pelo país

Juíza também solicitou registros migratórios e informações sobre possíveis contatos com autoridades estrangeiras.

Publicado em 30 de outubro de 2026 às 14:26

Justiça argentina exige que governo preserve imagens da passagem de Flávio Bolsonaro pelo país
Justiça argentina exige que governo preserve imagens da passagem de Flávio Bolsonaro pelo país Crédito: Reprodução

A passagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) pela Argentina, antes de embarcar para os Estados Unidos com a família, entrou na mira da Justiça do país. A juíza federal María Eugenia Capuchetti determinou que órgãos do governo de Javier Milei preservem as imagens de câmeras de segurança que possam ter registrado a circulação do parlamentar pelo território argentino.

A ordem, expedida na quinta-feira (29), foi direcionada à Direção Nacional de Migrações, à Agência de Arrecadação e Controle Aduaneiro (ARCA), à Polícia de Segurança Aeroportuária e à Gendarmaria Nacional. As instituições deverão manter as gravações de pontos como a Ponte Internacional Tancredo Neves e o aeroporto de Puerto Iguazú, além de outros locais ligados à fiscalização de fronteiras.

A magistrada também pediu que as autoridades migratórias apresentem todos os registros de entrada de Flávio na Argentina. Já a Chancelaria deverá informar se recebeu solicitações de cooperação internacional relacionadas à situação judicial ou migratória do senador. A juíza ainda requisitou acesso à investigação aberta pela Justiça Federal de Puerto Iguazú para apurar as circunstâncias da entrada do brasileiro e de seus familiares no país.

A iniciativa ocorre após políticos argentinos apresentarem denúncias para investigar uma possível participação de integrantes do governo Milei na passagem de Flávio pelo território argentino. Entre os autores estão Gabriel Solano, representante da esquerda argentina, e o deputado nacional Esteban Paulón.

Solano aponta uma possível atuação do presidente Javier Milei para facilitar a entrada do senador no país. Além do chefe do Executivo, as denúncias mencionam o chanceler Pablo Quirno, a ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva, e o assessor presidencial Santiago Caputo, que esteve na província de Misiones durante a passagem de Flávio. As suspeitas ainda estão sob análise e não comprovam o envolvimento dos citados em qualquer irregularidade.

Flávio Bolsonaro chegou à Argentina na noite de terça-feira (27), acompanhado da esposa e das duas filhas. A entrada ocorreu pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na região de Puerto Iguazú. Por volta das 23h30, a família embarcou em um avião particular da empresa Baires Fly. A aeronave fez uma escala em Guayaquil, no Equador, antes de pousar em Miami, nos Estados Unidos, na manhã de quarta-feira (28).

Informações divulgadas nesta sexta-feira (30) apontam que o caso está dividido em procedimentos judiciais distintos. Na investigação conduzida em Puerto Iguazú, o procurador federal Fabián Martínez informou que as primeiras verificações não identificaram crimes ou irregularidades nos controles migratórios e aduaneiros. O caso, no entanto, foi encaminhado para revisão, que deverá definir se haverá arquivamento ou novas diligências.

Em Buenos Aires, a juíza Capuchetti determinou medidas iniciais para reunir documentos e imagens que possam esclarecer a passagem do senador pelo país e verificar eventuais irregularidades envolvendo autoridades argentinas.

A preservação das gravações é considerada uma medida importante para garantir que possíveis provas estejam disponíveis enquanto as denúncias seguem em análise.