Lavagem de milhões e conexão com o PCC: brasileiro pega 12 anos de prisão nos Estados Unidos

Cúpula de esquema bilionário ligada ao PCC foi desmantelada pelo FBI após movimentar mais de R$ 150 milhões.

Publicado em 21 de outubro de 2026 às 07:24

Lavagem de milhões e conexão com o PCC: brasileiro pega 12 anos de prisão nos Estados Unidos
Lavagem de milhões e conexão com o PCC: brasileiro pega 12 anos de prisão nos Estados Unidos Crédito: Reprodução/Agência Brasil

A engrenagem financeira de uma das maiores facções criminosas do Brasil funcionava, em grande parte, a milhares de quilômetros de distância, operada por brasileiros que transformaram cidades norte-americanas em rotas de ocultação de capital. O brasileiro Ygor Fokin Saviolli, de 35 anos, foi condenado a 12 anos de prisão em território americano após ser apontado como peça central em um esquema internacional de lavagem de dinheiro que injetou mais de 30 milhões de dólares cerca de 151 milhões de reais no sistema financeiro estrangeiro.

De acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Saviolli exercia funções de liderança e supervisão na organização. Ele era responsável por gerenciar recursos financeiros, coordenar o fluxo de capitais e supervisionar a higienização de grandes somas obtidas de forma ilícita.

As investigações revelaram que o grupo criminoso utilizava uma rede de mensageiros para recolher dinheiro em espécie proveniente do tráfico de drogas diretamente em bancos e estabelecimentos pelos Estados Unidos. Os valores eram fracionados e depositados em diversas instituições financeiras para despistar os órgãos de controle, permitindo que o lucro final fosse remetido a cartéis e fornecedores internacionais de entorpecentes.

Toda a logística e a comunicação entre os operadores da rede transnacional ocorriam por meio de aplicativos de mensagens criptografadas, conectando facilitadores e transportadores em solo americano.

Enquanto a Justiça americana enquadrou o grupo por conspiração para cometer lavagem de dinheiro, no Brasil a atuação de Saviolli é tratada sob uma perspectiva ainda mais grave. A Polícia Federal o aponta como um dos coordenadores logísticos de um esquema de lavagem vinculado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), investigado detalhadamente no âmbito da Operação Exchange.

Embora o comunicado oficial do governo norte-americano não cite nominalmente a facção criminosa, o cruzamento de dados entre as agências de segurança dos dois países desenha o mapa de atuação do brasileiro na cúpula financeira do crime organizado.

Além de Saviolli, outros cinco brasileiros foram condenados no mesmo processo nos tribunais americanos após firmarem acordos de delação e se declararem culpados:

Gabriel Cezar Menezes: condenado a 7 anos e 10 meses de prisão por atuar como facilitador, orientando a rede de mensageiros e recolhendo valores em espécie.

Omar Aliperti De Mello Correa: sentenciado a 2 anos e 6 meses de reclusão.

Leandro De Avila Gonçalves: recebeu pena de 2 anos de prisão.

João Andrade De Mello: condenado a 1 ano e 1 dia de reclusão.

Tadeu Sebastiane Rabelo Alves Barbosa: sentenciado a 1 ano e 1 dia de prisão.

Correa, Gonçalves, De Mello e Barbosa formavam a linha de frente do transporte de dinheiro em espécie, circulando por centros urbanos estratégicos como Atlanta, Charlotte, Chicago, Cleveland, Minneapolis, Rochester e Tampa para recolher e escoar o capital ilícito.

O desmonte da célula financeira foi conduzido de forma conjunta pelas principais agências de aplicação da lei dos Estados Unidos. A investigação de campo e a quebra das rotas de lavagem ficaram a cargo do Federal Bureau of Investigation (FBI), com o suporte estratégico da Administração de Combate às Drogas (DEA) e da Investigação de Segurança Interna (HSI).

Com as sentenças proferidas, o processo nos tribunais norte-americanos encerra um capítulo crítico na cooperação internacional de combate às finanças do crime organizado transnacional.