Macron chama acordo UE Mercosul de 'mau negócio' e reforça críticas

Presidente da França diz que tratado é antigo, mal negociado e não traz ganhos reais à Europa

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 10:13

Presidente da França diz que tratado é antigo, mal negociado e não traz ganhos reais à Europa
Presidente da França diz que tratado é antigo, mal negociado e não traz ganhos reais à Europa Crédito: Reprodução 

Nesta terça-feira (10), o presidente da França, Emmanuel Macron, voltou a criticar o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, classificando o tratado como um “mau negócio” e afirmando que o texto está desatualizado e foi mal negociado.

Em entrevista a jornais franceses, Macron disse que o acordo não teria os efeitos extremos apontados por defensores ou críticos. Segundo ele, o tratado não causaria o impacto negativo temido por parte do setor agrícola europeu, mas também não traria o crescimento econômico positivo esperado por outros grupos.

O presidente francês afirmou que a Europa enfrenta desafios considerados enormes e defendeu que a União Europeia concentre esforços em áreas estratégicas, como transição ecológica, inteligência artificial e tecnologia quântica. Para isso, Macron voltou a apoiar a criação de um mecanismo de endividamento conjunto entre os países do bloco.

Na avaliação do líder francês, a emissão de dívida comum, como os eurobônus, permitiria investimentos em larga escala e ajudaria a reduzir a dependência europeia do dólar. Macron também defendeu uma maior proteção às indústrias do continente, com o que chamou de “preferência europeia” em setores estratégicos.

“As declarações ocorrem às vésperas da reunião dos chefes de Estado e de governo da União Europeia, marcada para quinta-feira (12), em Bruxelas, quando será discutida a competitividade do bloco”, destacou o presidente.

O acordo entre União Europeia e Mercosul é negociado há mais de 25 anos e prevê a ampliação do livre comércio entre os blocos, incluindo redução de tarifas de importação e exportação nos setores agrícola e industrial.

Macron mantém resistência ao tratado e afirma que a França não deve assiná-lo nos moldes atuais. Para ele, o país possui forte capacidade no setor agrícola e poderia sofrer prejuízos caso produtos sul-americanos ganhem espaço excessivo no mercado europeu.

Segundo o presidente, agricultores franceses teriam dificuldade para competir com a escala de produção de países como o Brasil, o que poderia gerar perda de renda no campo e impactos diretos na economia nacional.