Publicado em 3 de março de 2026 às 10:19
Em um momento de tensão crescente no cenário internacional, o presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou que a França pretende fortalecer sua capacidade nuclear. A declaração foi feita durante visita à base de submarinos de Île Longue, na região da Bretanha, e ocorre em meio a dúvidas sobre o compromisso dos Estados Unidos com a segurança da Europa.>
Segundo Macron, ampliar o arsenal é uma medida necessária para assegurar a soberania francesa. Para ele, a liberdade de um país está diretamente ligada à sua capacidade de dissuasão. A fala vem em um contexto delicado para o continente, marcado pela guerra entre Rússia e Ucrânia, que já dura cinco anos, e por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que têm gerado preocupação entre líderes europeus.>
Trump criticou duramente a União Europeia em sua estratégia de segurança nacional e questionou a atuação do bloco, além de levantar incertezas sobre o papel dos EUA na Organização do Tratado do Atlântico Norte. Embora Washington não tenha anunciado a retirada de armas nucleares instaladas na Europa desde a década de 1950, o discurso norte-americano incentivou países europeus a repensar suas próprias estruturas de defesa.>
A França ocupa posição singular nesse debate. É o único país da União Europeia que possui armas nucleares próprias e independentes de suporte técnico dos Estados Unidos. Atualmente, o país mantém cerca de 290 ogivas, número semelhante ao registrado nos anos 1980, de acordo com o Bulletin of the Atomic Scientists. No auge, no início da década de 1990, o estoque francês chegou a aproximadamente 540 unidades.>
As ogivas francesas estão distribuídas entre sistemas lançados por aeronaves e mísseis balísticos disparados por submarinos do modelo M51, desenvolvidos pela ArianeGroup. O país também dispõe de reservas significativas de material nuclear, incluindo mais de 30 toneladas de urânio enriquecido em grau militar e cerca de 6 toneladas de plutônio, segundo a Associação de Controle de Armas, o que permitiria eventual ampliação do estoque.>
Macron afirmou que pretende avançar para uma nova fase na política de defesa europeia. Ele citou a intensificação do diálogo com Alemanha, Polônia, Holanda, Bélgica, Grécia, Suécia e Dinamarca, além do Reino Unido, que também possui arsenal nuclear, embora dependa tecnologicamente dos EUA para operá-lo. Entre as possibilidades discutidas estão a participação de aliados em exercícios militares nucleares e o eventual deslocamento temporário de aviões franceses equipados com armamentos atômicos para outros territórios europeus.>
Apesar da abertura para cooperação, o presidente deixou claro que o controle final sobre qualquer uso das armas continuará sendo exclusivamente francês. Diferentemente do modelo adotado pela Otan, a França não mantém seu arsenal sob comando compartilhado nem instala permanentemente ogivas em outros países.>
Com o quarto maior arsenal nuclear do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e Rússia em número de armas prontas para uso, a França mantém sua estratégia baseada na dissuasão. O princípio é simples: deixar claro que qualquer ataque aos chamados interesses vitais do país provocaria uma resposta capaz de causar danos inaceitáveis ao agressor.>
Ao defender o fortalecimento da capacidade nuclear, Macron afirmou que deseja ver a Europa mais autônoma e menos dependente de potências externas. Para ele, o continente precisa assumir as rédeas de sua própria segurança em um cenário global cada vez mais instável.>