Publicado em 17 de outubro de 2026 às 14:15
Centenas de caixas com iPhones e perfumes de luxo foram vistas flutuando no Estreito de Ormuz após o naufrágio do cargueiro GFS Pride, registrado na quarta-feira (14). Vídeos que circulam nas redes sociais mostram pequenas embarcações se aproximando de contêineres parcialmente submersos e pessoas recolhendo mercadorias espalhadas pela água.>
A embarcação tinha bandeira de Singapura e capacidade para transportar 2.824 TEUs, unidade equivalente a contêineres de 20 pés. Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, o navio transportava milhares de contêineres. Ainda não há confirmação independente sobre a quantidade exata de iPhones e perfumes que estava a bordo ou sobre o valor total das mercadorias perdidas.>
Versões diferentes sobre o naufrágio>
O incidente aconteceu em uma região estratégica para o comércio internacional e que enfrenta forte tensão militar. A Autoridade Marítima e Portuária de Singapura informou que o GFS Pride sofreu danos e pegou fogo antes de afundar. Os 21 tripulantes foram retirados em segurança, sem registro de feridos.>
Já a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou que o cargueiro teria atingido uma mina naval enquanto navegava por uma rota considerada pelas autoridades iranianas como “não autorizada e perigosa”.>
A versão sobre a mina, porém, não foi confirmada de maneira independente. Informações obtidas por fontes de segurança marítima e divulgadas pela agência Reuters apontaram que a embarcação foi atingida por um projétil. Até o momento, não há uma conclusão pública definitiva sobre o que provocou o naufrágio.>
Pescadores recolhem mercadorias>
Após o afundamento, imagens divulgadas por veículos internacionais mostraram pescadores e outras pessoas em pequenas embarcações recolhendo caixas que ficaram à deriva. Os registros chamaram a atenção pela quantidade de produtos aparentemente preservados, incluindo celulares e perfumes.>
A recuperação das mercadorias ocorre em meio aos riscos associados à presença de contêineres flutuantes, destroços e possíveis materiais perigosos na área. Autoridades iranianas também alertaram embarcações locais sobre os contêineres espalhados pelo mar.>
Não há confirmação de que os produtos recolhidos possam ser comercializados legalmente, nem informações consolidadas sobre o destino das mercadorias recuperadas.>
Estreito de Ormuz está sob tensão>
O naufrágio ocorreu durante uma escalada de incidentes envolvendo navios comerciais no Estreito de Ormuz, passagem marítima entre o Irã e a Península Arábica que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã.>
Antes do atual conflito, a região era uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito. Aproximadamente um quinto do comércio global desses combustíveis transportados por via marítima passava pelo estreito, o que torna qualquer interrupção relevante para os mercados internacionais.>
Em comunicado, a autoridade marítima de Singapura manifestou preocupação com os ataques a embarcações comerciais e classificou esse tipo de ação como injustificável e contrário ao direito internacional.>
O caso do GFS Pride também foi acompanhado por outro incidente envolvendo o cargueiro Cape Dao, de bandeira de Antígua e Barbuda, que sofreu danos após ser atingido por um projétil em setembro. A embarcação foi posteriormente reportada como estando em processo de afundamento após uma tentativa de resgate malsucedida.>
O naufrágio do GFS Pride, portanto, não representa apenas a perda de uma carga comercial de alto valor: o episódio reforça as preocupações com a segurança da navegação em uma das rotas marítimas mais importantes do mundo.>
Texto por Pedro Moraes.>