Marinha dos EUA quer trocar nome de herói negro por Trump em porta-aviões

Embarcação foi batizada em homenagem a Doris Miller

Publicado em 30 de setembro de 2026 às 16:09

Doris Miller, militar negro que se tornou um dos principais heróis da Marinha americana durante a Segunda Guerra Mundial, primeiro afro-americano a receber a honraria.
Doris Miller, militar negro que se tornou um dos principais heróis da Marinha americana durante a Segunda Guerra Mundial, primeiro afro-americano a receber a honraria. Crédito: Reprodução/US Navy

A Marinha dos Estados Unidos avalia a possibilidade de mudar o nome de um futuro porta-aviões nuclear que havia sido batizado em homenagem a Doris Miller, militar negro que se tornou um dos principais heróis da Marinha americana durante a Segunda Guerra Mundial. Segundo relatos publicados pela imprensa dos EUA, o nome do presidente Donald Trump foi discutido como uma alternativa para a embarcação.

A mudança, porém, ainda não foi anunciada oficialmente. Fontes ouvidas pela imprensa americana afirmam que a discussão ocorre há meses, enquanto a Marinha informou que não tinha nenhum anúncio a fazer sobre o assunto. O navio, atualmente em construção na Virgínia, é identificado como CVN-81 e tem previsão de conclusão para 2034.

O porta-aviões havia recebido oficialmente o nome USS Doris Miller em 2020, durante o primeiro mandato de Trump. A escolha homenageava um marinheiro que participou da defesa do USS West Virginia durante o ataque japonês a Pearl Harbor, em 7 de dezembro de 1941. Na ocasião, Miller ajudou a retirar militares feridos e, mesmo sem treinamento específico para operar armamentos, assumiu uma metralhadora depois que seu operador foi morto.

Miller era um dos militares negros que, naquele período, ocupavam funções limitadas dentro da Marinha dos Estados Unidos. Seu desempenho durante o ataque fez com que ele recebesse a Navy Cross, uma das principais condecorações militares do país. Ele foi o primeiro afro-americano a receber a honraria.

O marinheiro morreu em novembro de 1943, aos 24 anos, quando o USS Liscome Bay, navio em que servia, foi torpedeado por um submarino japonês. Décadas depois, sua trajetória continuou sendo lembrada nos Estados Unidos e chegou ao cinema no filme Pearl Harbor, no qual Miller foi interpretado pelo ator Cuba Gooding Jr.

Porta-aviões americanos já receberam os nomes de presidentes como Ronald Reagan, George H. W. Bush, Gerald Ford, John F. Kennedy, Dwight Eisenhower e Theodore Roosevelt. A diferença é que esses presidentes já haviam deixado o cargo quando receberam a homenagem. Nomear a embarcação em homenagem a um presidente ainda no exercício do mandato seria uma situação sem precedente na história dos porta-aviões americanos.

O assunto também ganhou repercussão porque o próprio Trump havia comentado, em 2020, sobre a possibilidade de um porta-aviões receber seu nome. Na época, durante um evento na Casa Branca, ele afirmou que não receberia essa homenagem e mencionou que talvez isso pudesse acontecer no futuro.

Até o momento, entretanto, não há confirmação oficial de que o CVN-81 será rebatizado como Donald Trump. A Marinha não anunciou uma alteração e a possibilidade continua sendo tratada pela imprensa americana como uma discussão interna. Enquanto isso, a construção do porta-aviões segue, com previsão de lançamento apenas para 2034.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.