Mega-assalto no Paraguai tem características do PCC, diz ministro

Autoridades paraguaias apontam indícios de participação da facção em ataque a bancos; grupo usou explosivos, incendiou veículos e espalhou miguelitos durante a fuga.

Publicado em 17 de junho de 2026 às 13:37

Autoridades paraguaias apontam indícios de participação da facção em ataque a bancos; grupo usou explosivos, incendiou veículos e espalhou miguelitos durante a fuga.
Autoridades paraguaias apontam indícios de participação da facção em ataque a bancos; grupo usou explosivos, incendiou veículos e espalhou miguelitos durante a fuga. Crédito: Reprodução 

Nesta terça-feira (16), autoridades do Paraguai informaram que o mega-assalto registrado em Santa Rita, na madrugada de segunda-feira (15), apresenta características associadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação envolveu cerca de 20 criminosos que atacaram três bancos e uma casa de câmbio, utilizando explosivos, rendendo policiais e funcionários e incendiando veículos para facilitar a fuga.

O ministro do Interior do Paraguai, Enrique Riera, afirmou que as primeiras análises da investigação apontam semelhanças com o modo de atuação da facção criminosa brasileira. Em entrevista, ele destacou que os assaltantes queimaram dois veículos durante a fuga e que o grupo era composto por aproximadamente 15 a 20 pessoas.

Santa Rita está localizada a cerca de 70 quilômetros da fronteira entre Paraguai e Brasil. Segundo o chefe do Comando Tripartite, Carlos Alberto Dures Rios, testemunhas relataram ter ouvido integrantes da quadrilha falando português durante o crime.

Riera também ressaltou que o PCC é classificado como organização terrorista pelo Paraguai desde 2025, o que pode ampliar a cooperação internacional nas investigações, incluindo ações conjuntas com os Estados Unidos. O governo norte-americano também adota a mesma classificação para a facção.

Até o momento, dois paraguaios foram presos sob suspeita de participação no assalto. De acordo com o comissário Luis López, do Departamento Contra o Crime Organizado, os investigadores acreditam que o grupo contava com dois ou três integrantes ligados ao PCC.

Segundo López, o poder de fogo empregado e o uso de explosivos reforçam essa hipótese. O comissário também afirmou que há indícios da participação de dois ex-policiais na ação criminosa.

Durante o ataque, os assaltantes invadiram o Banco Familiar, o Banco GNB, o Banco Ueno e a Casa de Câmbio Santa Rita. As autoridades informaram que os cofres do Banco Familiar e do Banco GNB foram esvaziados, enquanto os criminosos não conseguiram levar valores do Banco Ueno nem da casa de câmbio.

O valor total roubado ainda não foi divulgado pelas autoridades paraguaias.

Além dos explosivos utilizados contra as agências bancárias, o grupo espalhou pregos conhecidos como “miguelitos” pelas ruas da cidade para dificultar a perseguição policial após a fuga.