Ministro de Israel celebra aprovação de pena de morte para palestinos com broche de forca e champanhe

Nova legislação prevê execução por enforcamento para condenados por ataques letais; medida gerou condenação internacional e petições na Suprema Corte israelense.

Publicado em 31 de março de 2026 às 15:46

A lei estabelece que a sentença de morte passará a ser o padrão em julgamentos de tribunais militares para casos classificados como "atos de terrorismo". —
A lei estabelece que a sentença de morte passará a ser o padrão em julgamentos de tribunais militares para casos classificados como "atos de terrorismo". — Crédito: REUTERS/Amir Cohen/Foto de Arquivo | AP Photo/Itay Cohen

O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, celebrou de forma polêmica a aprovação de uma lei que institui a pena de morte para palestinos condenados por ataques letais. Durante a sessão no Parlamento (Knesset) na segunda-feira (30), o político da ala de extrema direita utilizou um broche dourado com o desenho de uma forca, em alusão direta ao método de execução previsto no texto.

Além do adereço, Ben Gvir tentou abrir uma garrafa de champanhe logo após o anúncio do resultado, 62 votos a favor e 48 contra. Embora inicialmente impedido por seguranças, vídeos que circularam posteriormente nas redes sociais mostraram o ministro servindo a bebida a outros colegas e afirmando: "Em breve, vamos contá-los um por um". A proposta foi impulsionada pelo próprio ministro e contou com o voto favorável do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

A lei estabelece que a sentença de morte passará a ser o padrão em julgamentos de tribunais militares para casos classificados como "atos de terrorismo". Segundo o texto aprovado, as execuções deverão ocorrer por enforcamento. Outros membros da base governista também foram vistos utilizando o broche de forca durante a votação.

A medida provocou uma onda imediata de protestos e críticas, a autoridade Palestina afirmou que a lei busca "legitimar execuções extrajudiciais", já o Conselho da Europa indicou que pode retirar de Israel o status de observador na Assembleia Parlamentar, reforçando que a instituição rejeita a pena capital em qualquer circunstância. A Associação para os Direitos Civis em Israel já protocolou uma petição na Suprema Corte do país exigindo a anulação da lei.

O clima de tensão em torno do tratamento de detentos palestinos já vinha aumentando. Recentemente, as forças militares de Israel retiraram acusações contra cinco soldados suspeitos de abusar sexualmente de um prisioneiro na prisão de Sde Teiman, instalação que ganhou notoriedade por denúncias de tortura. A detenção inicial desses soldados, em julho de 2024, chegou a provocar invasões violentas à unidade por parte de ultranacionalistas apoiadores do governo.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Cássio Leal.