Ministros do Mercosul abrem reuniões estratégicas no Paraguai antes de cúpula de presidentes

Encontros técnicos deste fim de semana destravaram acordos comerciais e controle de fronteiras em Assunção.

Publicado em 29 de junho de 2026 às 11:29

Ministros do Mercosul abrem reuniões estratégicas no Paraguai antes de cúpula de presidentes
Ministros do Mercosul abrem reuniões estratégicas no Paraguai antes de cúpula de presidentes Crédito: Reprodução/Redes sociais

A cidade de Assunção, capital do Paraguai, transformou-se no coração diplomático da América do Sul. Ministros de Relações Exteriores e da Economia se reuniram nesta segunda-feira (29) para a Reunião Ordinária do Conselho do Mercado Comum, o principal órgão decisório do Mercosul.

O encontro serve como antessala para a aguardada 68ª Cúpula de Chefes de Estado, que acontece nesta terça-feira (30). Representando o Brasil, o chanceler Mauro Vieira participa dos debates que buscam consolidar parcerias estratégicas, destravar burocracias aduaneiras e preparar o terreno para a chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de outros líderes do continente.

O pontapé inicial dos trabalhos ministeriais foi dado pelo chanceler paraguaio, Rubén Lezcano, que destacou a importância de somar esforços pela integração regional. Nos bastidores, as equipes técnicas dos países membros trabalharam intensamente durante todo o fim de semana, conseguindo avanços significativos em áreas que afetam diretamente o dia a dia dos cidadãos e das empresas, como a modernização tecnológica da fiscalização de fronteiras, a aceleração do comércio e a integração digital entre as nações. A expectativa é que uma série de novos acordos bilaterais e multilaterais seja assinada ainda no fim do dia, selando os progressos alcançados nos últimos meses.

O grande evento desta terça-feira reunirá o presidente anfitrião, Santiago Peña, e uma comitiva de chefes de Estado que ilustra o atual momento político da região. Além de Lula, confirmaram presença os presidentes Javier Milei (Argentina), Yamandú Orsi (Uruguai), Rodrigo Paz (Bolívia), José Antônio Kast (Chile) e Daniel Noboa (Equador).

O encontro de cúpula ocorre em um ambiente de forte transformação ideológica no continente, impulsionado pelo recente avanço de governos de direita e centro-direita em pleitos locais. As vitórias eleitorais na Colômbia e no Peru consolidaram o crescimento da chamada Onda Azul na América do Sul, o que deve ditar o tom das discussões sobre abertura de mercado e flexibilização de regras do bloco.

Apesar das diferenças ideológicas entre os governantes, a pauta humanitária e a economia devem unir as delegações. A cúpula será marcada por uma manifestação conjunta de apoio e solidariedade à Venezuela, que enfrenta uma grave crise humanitária decorrente de recentes e devastadores terremotos que castigaram o país.

Paralelamente, os líderes pretendem celebrar o amadurecimento e o avanço nas negociações de novos tratados de livre comércio com mercados externos, sinalizando que, mesmo diante de um mapa político em constante mutação, o fortalecimento econômico mútuo continua sendo o principal objetivo do Mercosul.