Morre o filósofo alemão Jürgen Habermas, aos 96 anos

Intelectual foi voz central na defesa da democracia e na crítica aos crimes do nazismo.

Publicado em 14 de março de 2026 às 13:52

(Filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas)
(Filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas) Crédito: Redes Sociais/Instagram

Morreu neste sábado (14), aos 96 anos, o filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas, um dos pensadores mais influentes do século XX e XXI. A morte foi confirmada pela editora Suhrkamp Verlag, que citou a família do intelectual. Habermas faleceu em sua residência em Starnberg, nos arredores de Munique, no sul da Alemanha. A causa da morte não foi divulgada.

Nascido em 18 de junho de 1929, em Düsseldorf, Habermas era adolescente durante a Segunda Guerra Mundial e o regime nazista, experiência que marcou profundamente sua obra. Ele se tornou figura central da segunda geração da Escola de Frankfurt, sucedendo pensadores como Theodor Adorno e Max Horkheimer, que o acolheram cedo em sua trajetória acadêmica e influenciou estudos da corrente intelectual dedicada à análise crítica da sociedade contemporânea, da cultura e do poder.

Sua produção intelectual abrangeu temas como teoria da ação comunicativa, esfera pública, democracia deliberativa e crítica ao capitalismo tardio. Obras seminais, como História e Crítica da Opinião Pública (1962), Teoria da Ação Comunicativa (1981) e O Discurso Filosófico da Modernidade (1985), influenciaram profundamente a filosofia, a ciência política, a sociologia e os estudos de comunicação em todo o mundo.

Habermas defendeu incansavelmente a democracia como projeto inacabado da modernidade, criticando tanto o autoritarismo quanto o populismo e o nacionalismo. Ele se posicionou publicamente em debates contemporâneos, como a integração europeia, os direitos humanos, a crise migratória e, mais recentemente, questões relacionadas ao conflito no Oriente Médio e ao antissemitismo.

Como público intelectual engajado, Habermas participou ativamente de controvérsias na Alemanha pós-guerra, incluindo o debate sobre o "passado nazista" e a responsabilidade coletiva. Sua assinatura apareceu em manifestos e artigos que moldaram o pensamento progressista europeu.

A morte de Habermas representa o fim de uma era na filosofia crítica. Ele deixa um legado vasto, com dezenas de livros traduzidos para dezenas de idiomas e influência duradoura em universidades e no debate público global.

A editora Suhrkamp anunciou que mais detalhes sobre homenagens e cerimônias serão divulgados em breve.