Mortos por terremotos na Venezuela chegam a 1.430; mais de 50 mil pessoas seguem desaparecidas

Governo atualiza balanço da tragédia, enquanto ONU estima que até 6,8 milhões de pessoas tenham sido afetadas pelos abalos sísmicos que devastaram a região de Caracas.

Publicado em 28 de junho de 2026 às 09:00

Buscas por desaparecidos continuam na Venezuela - 
Buscas por desaparecidos continuam na Venezuela -  Crédito: Redes sociais

O número de mortos em decorrência dos terremotos que atingiram a Venezuela subiu para 1.430 neste sábado (27), segundo balanço divulgado pelo governo venezuelano às 14h20 (horário de Brasília). Além das vítimas fatais, as autoridades informaram que mais de 3 mil pessoas ficaram feridas e outras 3.100 estão desabrigadas.

Os dois terremotos ocorreram na noite da última quarta-feira (24), com menos de um minuto de intervalo, atingindo a região norte do país, onde está localizada a capital Caracas. Os tremores provocaram o desabamento de prédios, destruíram bairros inteiros e são considerados os mais intensos registrados na Venezuela em mais de um século.

O novo balanço foi apresentado pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, em pronunciamento à imprensa estatal.

Apesar da atualização oficial, a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) avaliam que o número de vítimas pode ser significativamente maior, devido à magnitude dos terremotos, à baixa profundidade dos abalos e à alta densidade populacional das áreas atingidas.

Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), vinculada à ONU, até 6,8 milhões de pessoas podem ter sido afetadas pela tragédia. A estimativa considera análises de danos estruturais e da população residente nas regiões impactadas, incluindo cerca de dois milhões de pessoas apenas na área metropolitana de Caracas.

Outro dado que preocupa as equipes de resgate é o número de desaparecidos. O Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU estima que mais de 50 mil pessoas ainda estejam com paradeiro desconhecido.

Na sexta-feira (26), Jorge Rodríguez informou que mais de uma centena de pessoas permanecia presa sob os escombros e que pelo menos 383 edifícios foram totalmente destruídos ou sofreram danos severos.

As buscas contam com apoio internacional. De acordo com o governo venezuelano, mais de 1.600 especialistas estrangeiros em resgate já chegaram ao país em 17 voos humanitários.

Segundo Oliver Blanco, representante do Ministério das Relações Exteriores, outros 25 voos com equipes de socorro e ajuda humanitária devem desembarcar na Venezuela nas próximas 24 horas.

O Brasil também participa da operação. Na sexta-feira, uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) chegou ao país transportando médicos, cães farejadores e equipamentos especializados para auxiliar nas buscas. O governo brasileiro informou ainda que outras duas aeronaves com ajuda humanitária devem seguir para a Venezuela ainda neste sábado.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que outros dez países também devem integrar a força internacional de apoio. Segundo ela, cerca de 14 mil militares e policiais atuam na região de La Guaira, uma das áreas mais atingidas pelos tremores.

Os terremotos registraram magnitudes de 7,2 e 7,5 e tiveram epicentro na cidade de El Guayabo, a aproximadamente 168 quilômetros de Caracas. Além da intensidade, a baixa profundidade dos abalos fez com que os tremores fossem sentidos com maior força na superfície, ampliando os danos.

Réplicas também atingiram cidades costeiras, especialmente La Guaira, onde houve destruição significativa. O aeroporto internacional de Caracas permanece fechado desde o desastre.

Com base nas características dos terremotos e na concentração populacional das áreas afetadas, o Serviço Geológico dos Estados Unidos projeta que o número de mortos poderá ultrapassar 10 mil pessoas à medida que as operações de busca avancem.