Publicado em 26 de fevereiro de 2026 às 08:39
A terceira rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã em menos de um mês acontece nesta quinta-feira (26), em Genebra, na Suíça, e pode marcar um ponto de virada na já delicada relação entre os dois países. O resultado da reunião pode influenciar diretamente a decisão do presidente americano Donald Trump sobre uma eventual ofensiva militar contra o território iraniano.>
A Casa Branca condiciona qualquer avanço diplomático à interrupção do enriquecimento de urânio por parte do Irã. Washington argumenta que o processo pode abrir caminho para a produção de uma arma nuclear. Teerã, por sua vez, sustenta que o programa tem finalidade exclusivamente energética e afirma que aceita reduzir o nível de enriquecimento se houver alívio nas sanções econômicas impostas pelos americanos.>
Além da questão nuclear, o governo dos Estados Unidos quer incluir na pauta limitações ao alcance de mísseis balísticos iranianos e o fim do apoio a grupos armados no Oriente Médio. O governo iraniano resiste e insiste que as conversas devem se concentrar apenas na atividade nuclear.>
O encontro ocorre após uma reunião em 17 de fevereiro, também em Genebra, que foi considerada positiva pelos dois lados, ainda que com cautela. Agora, a expectativa é maior. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que vê possibilidade de entendimento. O chanceler Abbas Araqchi reforçou que a diplomacia pode prevalecer. Do lado americano, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou esperar uma conversa produtiva, mas alertou que não discutir o programa de mísseis criaria um impasse sério.>
Enquanto diplomatas conversam, os bastidores revelam outro cenário. Segundo o jornal britânico The Guardian, Trump deve decidir os próximos passos após ouvir seus enviados especiais. Entre as opções avaliadas estariam ataques pontuais para pressionar Teerã ou uma operação mais ampla com o objetivo de enfraquecer o regime liderado pelo aiatolá Ali Khamenei. Já veículos como CBS News, The Washington Post e The New York Times relataram que o presidente analisa diferentes cenários militares, mas enfrenta limitações logísticas e alerta do alto comando sobre riscos de baixas e de um conflito regional de grandes proporções. Trump nega dificuldades.>
O clima esquentou ainda mais depois que, em discurso no Congresso, Trump voltou a acusar o Irã de retomar ambições nucleares e buscar mísseis capazes de alcançar os Estados Unidos. Teerã respondeu classificando as declarações como falsas e acusando Washington de espalhar desinformação.>
A tensão não se limita às palavras. Desde janeiro, os Estados Unidos reforçaram a presença militar no Oriente Médio, enviando os porta-aviões USS Abraham Lincoln e USS Gerald R. Ford, além de ampliar movimentações aéreas e posicionamento de mísseis. O Irã reagiu com exercícios militares conjuntos com Rússia e China no Mar de Omã e no norte do Oceano Índico, além de manobras da Guarda Revolucionária no estratégico Estreito de Ormuz, rota essencial para o transporte global de petróleo.>
O histórico entre os dois países ajuda a explicar o cenário atual. A rivalidade remonta a 1979, após a Revolução Islâmica que instaurou o regime dos aiatolás. Em 2015, durante o governo Barack Obama, foi firmado um acordo que limitava o programa nuclear iraniano. Dois anos depois, Trump retirou os Estados Unidos do pacto e restabeleceu sanções. Em 2020, a morte do general Qassem Soleimani em uma operação americana levou as nações à beira de um confronto direto.>
Nos últimos meses, o ambiente interno iraniano também contribuiu para o aumento da pressão. Protestos contra o governo foram reprimidos com violência, resultando em milhares de mortes, segundo relatos. Em meio a esse contexto, qualquer decisão tomada após a reunião em Genebra poderá ter impacto não apenas regional, mas global.>
Teerã já avisou que reagirá de forma intensa a qualquer ataque, mesmo que seja limitado, e sinalizou que bases americanas no Oriente Médio poderiam ser alvo de retaliação. Diante disso, o encontro desta quinta-feira deixa de ser apenas mais uma rodada diplomática e passa a representar uma encruzilhada entre diálogo e confronto aberto.>