O fim de uma jornada de 28 anos: britânico caminha 58 mil km a pé do Chile até a Inglaterra

Karl Bushby concluiu a travessia de quatro continentes nesta segunda-feira (2), reencontrou a família e conheceu a neta de 12 anos após vencer desafios extremos pelo mundo.

Publicado em 2 de novembro de 2026 às 11:09

O fim de uma jornada de 28 anos: britânico caminha 58 mil km a pé do Chile até a Inglaterra
O fim de uma jornada de 28 anos: britânico caminha 58 mil km a pé do Chile até a Inglaterra Crédito: Reprodução/Redes sociais

Uma das maiores expedições da história chegou ao fim nesta segunda-feira (2). O britânico Karl Bushby, de 57 anos, concluiu uma caminhada contínua de 28 anos ao pisar em sua cidade natal, Hull, no litoral nordeste da Inglaterra. Sem utilizar nenhum meio de transporte ao longo de mais de 58 mil quilômetros, ele cruzou quatro continentes a pé em uma aventura que começou no extremo sul do Chile em 1º de novembro de 1998.

Recebido por cerca de 500 pessoas entre amigos, familiares, moradores e autoridades locais, Karl teve um reencontro emocionante com a mãe, Angela, de 75 anos, que o aguardou na mesma casa durante todo esse período. O aventureiro também conheceu pessoalmente sua neta Harley, de 12 anos. Quando partiu para a expedição, aos 29 anos, Karl havia acabado de se divorciar e deixado o filho Adam, então com 8 anos, que hoje tem 36.

Das selvas colombianas ao Estreito de Bering

A aventura, batizada de Expedição Golias, foi idealizada quando Karl ainda servia no 3º Batalhão do Regimento de Paraquedistas do Reino Unido período em que traçou a rota no mapa para superar as dificuldades do bullying e da dislexia severa diagnosticada na infância.

O trajeto começou em Punta Arenas (Chile) e seguiu pela América do Sul e América Central, onde usou táticas militares para escapar de grupos armados na Colômbia. Em março de 2006, ao lado do francês Dimitri Kieffer, protagonizou um dos momentos mais perigosos da jornada: a travessia a pé do Estreito de Bering, a camada de gelo que conecta o Alasca à Rússia. Na ocasião, a dupla chegou a ser presa por entrada ilegal no território russo, sendo libertada após intervenção diplomática do governo britânico.

Natatória no Cáspio e a volta para casa

Ao longo do caminho na Ásia e Europa, Karl precisou recalcular a rota devido a conflitos geopolíticos. Para evitar territórios de tensão no Irã e na Rússia, ele chegou a atravessar o Mar Cáspio a nado até o Azerbaijão, seguindo depois pela Turquia até ingressar no continente europeu e atravessar o Canal da Mancha rumo ao Reino Unido.

Financiada no início com recursos próprios e posteriormente por patrocinadores de documentários, a expedição que deveria durar de 10 a 12 anos tornou-se o projeto de toda uma vida. Ao saborear o tradicional fish and chips no reencontro com sua terra natal, Karl expressou a mistura de sentimentos ao concluir a trajetória:

"É verdadeiramente surpreendente. Você nunca faz essas coisas sozinho foram a bondade das pessoas e a gentileza de estranhos ao longo do mundo que me trouxeram até onde estou hoje. Sinto que estou deixando muita coisa para trás, mas é um alívio fenomenal estar em casa."