Publicado em 10 de setembro de 2026 às 09:50
Imagine trabalhar no cargo político mais bem remunerado do mundo e, mesmo assim, decidir abrir mão de um aumento milionário. Foi exatamente essa a escolha de Lawrence Wong, primeiro-ministro de Singapura. O governo do país asiático atualmente considerado o quinto mais rico do globo surpreendeu ao aprovar um reajuste de até 9% para os cargos do alto escalão, o primeiro desde 2011. Com a mudança, o salário anual de Wong saltará de 2,2 milhões para impressionantes 3,6 milhões de dólares cingapurianos (o equivalente a cerca de R$ 14,5 milhões).>
Apesar dos números robustos que superam em muito a realidade de líderes de superpotências (como o presidente dos Estados Unidos, que ganha cerca de 400 mil dólares por ano, ou o Brasil, onde a remuneração presidencial fica na casa dos R$ 556 mil anuais), a decisão gerou forte repercussão. Para acalmar os ânimos e dar o exemplo, o próprio premiê anunciou que doará integralmente todo o valor do seu aumento durante os próximos cinco anos.>
Mas qual é a lógica por trás de pagar salários tão altos a políticos? De acordo com a administração de Singapura, o objetivo central é estratégico: tornar a carreira pública altamente competitiva para atrair e reter mentes brilhantes do mercado privado. Chan Chun Sing, ministro coordenador dos Serviços Públicos, defendeu a medida no parlamento argumentando que o país não precisa apenas de ocupantes para as cadeiras, mas de líderes excepcionais entre os quais seja possível escolher a melhor equipe de gestão.>
Para o governo, o impacto financeiro dessa valorização é mínimo para os cofres públicos, representando menos de 0,05% das despesas totais do país e uma fração menor que 0,01% do Produto Interno Bruto (PIB). O próprio Lawrence Wong resumiu que a medida não visa beneficiar o governo atual, mas sim blindar o futuro de Singapura, garantindo que as próximas gerações continuem a ser lideradas pelos profissionais mais competentes do mercado.>