ONU critica rigor dos EUA com delegações e imigrantes na véspera da Copa do Mundo

Episódios com seleções do Irã, Senegal e Uzbequistão disparam alertas sobre o tratamento dado pelo principal país-sede do torneio.

Publicado em 10 de junho de 2026 às 11:02

ONU critica rigor dos EUA com delegações e imigrantes na véspera da Copa do Mundo
ONU critica rigor dos EUA com delegações e imigrantes na véspera da Copa do Mundo Crédito: Reprodução/ONU

Em Genebra, na Suíça, o principal nome dos direitos humanos da ONU, Volker Turk, veio a público cobrar diretamente o governo dos Estados Unidos. O motivo é uma série de episódios controversos envolvendo o tratamento de estrangeiros, atletas e equipes técnicas que desembarcam no principal país-sede do torneio. Turk pediu uma profunda reflexão e a revisão imediata de práticas migratórias que, segundo ele, ferem a dignidade humana.

A insatisfação da comunidade internacional escalou após casos emblemáticos virem à tona. O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, por exemplo, foi barrado ao tentar entrar em solo americano. Mesmo portando um visto diplomático, Artan enfrentou um interrogatório exaustivo de mais de onze horas antes de ser efetivamente mandado de volta para a Somália, ficando de fora da competição. Em coletiva, o chefe da ONU reforçou que espera uma mudança de postura por parte das autoridades, principalmente nos Estados Unidos, para que a aplicação das leis de imigração não impacte negativamente os direitos fundamentais das pessoas.

Além do rigor burocrático, o tom das vistorias físicas também acendeu o alerta. A delegação do Uzbequistão passou por um processo de triagem considerado excessivo por testemunhas, envolvendo cães farejadores e detectores de metal diretamente sobre os jogadores e a comissão técnica logo na chegada ao país.

No entanto, o maior desgaste diplomático envolve o Irã, nação que vive um contexto de guerra declarada contra os Estados Unidos desde o início do ano. Após ameaçar boicotar o evento, a seleção iraniana confirmou participação, mas esbarrou na recusa de vistos americanos para diversos integrantes de sua comissão.

Como alternativa de segurança e logística, o grupo optou por fixar sua base e se hospedar no México, deslocando-se para o território vizinho apenas para cumprir a agenda dos três compromissos da fase de grupos. Com os olhos do mundo voltados para a América do Norte, a pressão agora está sobre Washington para equilibrar a segurança nacional e a hospitalidade exigida por um evento global.