Publicado em 25 de maio de 2026 às 13:49
Nesta segunda-feira (25), o Papa Leão XIV realizou um gesto sem precedentes ao pedir perdão formal pelo papel da Igreja Católica na legitimação da escravidão. Durante a divulgação de sua primeira encíclica, intitulada “Magnifica Humanitas” (“Humanidade Magnífica”), o pontífice reconheceu que o Vaticano demorou séculos para condenar a prática e que antigos decretos papais autorizaram explicitamente a escravização de seres humanos.>
Diferente de papados anteriores, que pediram desculpas pelo envolvimento de cristãos no tráfico, Leão XIV admitiu a participação da própria Santa Sé ao emitir bulas no século XV que legitimavam a conquista de territórios e a redução de “infiéis” à escravidão perpétua. Um exemplo citado foi a bula "Dum Diversas" (1452), do Papa Nicolau V, que serviu de base para a Doutrina da Descoberta. “É impossível não sentir profunda tristeza ao contemplar o imenso sofrimento e humilhação suportados por tantos”, escreveu o papa, completando: “Por isso, em nome da Igreja, peço sinceramente perdão”. Ele afirmou que essa história constitui uma “ferida na memória cristã” da qual a instituição não pode se desvincular.>
O pedido atende a décadas de apelos de ativistas, estudiosos e católicos negros, especialmente dos Estados Unidos. Leão XIV é o primeiro papa nascido nos EUA e possui uma árvore genealógica que inclui tanto pessoas escravizadas quanto proprietários de escravos.>
Na encíclica, o pontífice também estabeleceu um paralelo entre o tráfico transatlântico e as novas formas de escravidão na era digital, citando o trabalho não regulamentado na extração de minerais para chips de inteligência artificial. Ele alertou que a Igreja deve condenar firmemente essas explorações tecnológicas para evitar a necessidade de novos pedidos de perdão no futuro.>
Embora o Vaticano tenha repudiado a Doutrina da Descoberta em 2023, esta é a primeira vez que um papa reconhece publicamente o erro dos seus antecessores em autorizar a subjugação humana.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>