Papa rebate Trump e defende diálogo sobre guerra e programa nuclear do Irã

Leão XIV afirma que críticas devem ser feitas “com a verdade” e reforça posição da Igreja contra armas nucleares em meio a novo atrito com os EUA.

Publicado em 5 de maio de 2026 às 18:29

Leão XIV afirma que críticas devem ser feitas “com a verdade” e reforça posição da Igreja contra armas nucleares em meio a novo atrito com os EUA.
Leão XIV afirma que críticas devem ser feitas “com a verdade” e reforça posição da Igreja contra armas nucleares em meio a novo atrito com os EUA. Crédito: Reprodução 

Nesta terça-feira (5), o papa Leão XIV reagiu às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após ser acusado de colocar em risco a vida de católicos ao não adotar uma postura mais dura em relação ao programa nuclear do Irã.

Ao falar com jornalistas na saída de sua residência em Castel Gandolfo, nos arredores de Roma, o pontífice afirmou que a missão da Igreja é pregar o Evangelho e promover a paz. Ele disse ainda que quem quiser criticá-lo deve fazê-lo “com a verdade”, reforçando que a posição da Igreja sobre o desarmamento nuclear é clara há anos.

O papa destacou que a instituição se manifesta de forma consistente contra armas nucleares e que não há dúvidas sobre esse posicionamento.

Questionado sobre o conceito de legítima defesa em contextos de conflito, Leão XIV afirmou, em inglês, que esse princípio sempre foi aceito pela tradição da Igreja. No entanto, ele ponderou que a ideia de “guerra justa” hoje exige uma análise mais complexa diante da realidade atual.

Segundo o pontífice, desde o início da era nuclear, o entendimento sobre guerra precisa ser revisto, e o caminho mais seguro continua sendo o diálogo. Ele reforçou que é preferível buscar acordos do que avançar para conflitos com potencial nuclear.

As declarações foram feitas após Trump afirmar que o papa estaria colocando em risco católicos ao não adotar uma postura mais firme contra o Irã.

Leão XIV também lembrou sua primeira mensagem ao ser eleito, em maio de 2025, quando destacou a importância da paz e afirmou que essa continua sendo sua principal mensagem.

O episódio acontece às vésperas de uma visita oficial do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ao Vaticano. O encontro é visto como uma tentativa de reaproximação entre o governo americano e a Santa Sé após recentes divergências.

Sobre a reunião, o papa disse esperar um diálogo aberto e baseado na confiança, com o objetivo de melhorar o entendimento entre as partes.