Paraguai solicita ao Brasil devolução de canhões e troféus da Guerra da Tríplice Aliança

Vice-presidente do país vizinho exige retorno do canhão "Cristiano" e acesso a arquivos históricos.

Publicado em 31 de julho de 2026 às 18:52

Governo do Paraguai, socilitou a devolução de troféus de guerra retidos desde o conflito da Tríplice Aliança (1864-1870).
Governo do Paraguai, socilitou a devolução de troféus de guerra retidos desde o conflito da Tríplice Aliança (1864-1870). Crédito: Divulgação

O governo do Paraguai entregou nesta sexta-feira (31) uma nota formal ao embaixador do Brasil, José Antonio Marcondes, solicitando a devolução de troféus de guerra retidos desde o conflito da Tríplice Aliança (1864-1870). A reunião, ocorrida no Palácio do Governo em Assunção, foi convocada em resposta direta às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, no dia 24 de julho, afirmou que o Paraguai "invadiu o Brasil". De acordo com o vice-presidente paraguaio, Pedro Alliana, o Brasil deve abordar esse período histórico com prudência e apego à verdade histórica.

O documento formal apresenta três exigências principais para o governo brasileiro. A primeira delas é a repatriação imediata de peças de artilharia históricas, especificamente o Canhão Presidente López e o Canhão Cristiano, além de outros troféus retidos pelo país vizinho. O Paraguai também solicita a entrega de cópias de documentos históricos sobre o conflito que permanecem guardados em arquivos brasileiros. Por fim, a nota demanda o reconhecimento dos pronunciamentos de repúdio aprovados recentemente pela Câmara dos Deputados e pelo Senado paraguaios.

Apesar do tom firme na defesa da memória nacional, Alliana descreveu a conversa com o embaixador como amigável. Ele reafirmou que as nações mantêm uma "ampla agenda de cooperação" e defendeu que a história deve servir de aprendizado para construir um futuro de prosperidade, citando parcerias estratégicas em Itaipu e no Mercosul.

A tensão diplomática escalou após falas de Lula durante uma visita à fábrica da Avibras, em Jacareí (SP). Ao defender o fortalecimento militar das Forças Armadas, o presidente brasileiro mencionou que "o Paraguai um dia invadiu o Brasil, a Argentina e o Uruguai" e que "para fazer loucura, o cara não precisa pensar". O comentário gerou críticas imediatas do Congresso paraguaio, que divulgou uma nota conjunta na última quarta-feira (29) afirmando que a fala "fere a memória histórica" do país e distorce os fatos do conflito.

A Guerra do Paraguai é considerada o maior e mais sangrento conflito armado da América do Sul e permanece um tema extremamente sensível para a sociedade paraguaia. Estima-se que mais da metade da população do país vizinho tenha morrido nos combates, gerando um desequilíbrio demográfico que comprometeu o desenvolvimento nacional por décadas.

As causas do conflito envolvem disputas territoriais e a influência política na Bacia do Prata, além da intervenção brasileira na guerra civil do Uruguai. Para as autoridades paraguaias, as relações bilaterais devem ser pautadas pelo respeito mútuo e pelo reconhecimento responsável da história compartilhada.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.