Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 15:27
O Parlamento Europeu decidiu interromper o processo de ratificação do acordo comercial firmado entre a União Europeia (UE) e os Estados Unidos, em uma reação direta às recentes ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump, envolvendo a imposição de tarifas a países europeus. A medida ocorre após o republicano vincular sanções econômicas ao posicionamento da Europa contra uma eventual anexação da Groenlândia pelos EUA.>
O tratado, fechado em julho de 2025, previa uma ampla reconfiguração das relações comerciais entre os dois blocos, mas, segundo lideranças parlamentares europeias, perdeu sustentação política diante do novo cenário de tensão diplomática. A presidente do grupo Socialistas e Democratas (S&D), Iratxe García Pérez, afirmou que há um entendimento majoritário entre as bancadas para congelar o avanço do acordo enquanto persistirem as ameaças de Washington.>
O posicionamento também encontrou respaldo no Partido Popular Europeu (PPE), maior força política do Parlamento e principal grupo de centro-direita, que teria confirmado apoio à suspensão das negociações no atual contexto. A convergência entre campos ideológicos distintos evidencia o grau de insatisfação com a postura adotada pelo governo norte-americano.>
Em declarações recentes, García Pérez classificou como “pressão imperialista” a intenção de Trump de aplicar tarifas de até 25% sobre produtos de países europeus que se manifestem contrários às pretensões dos EUA sobre a Groenlândia. Para ela, a União Europeia precisa reagir de forma firme e coordenada. “A Europa não pode demonstrar hesitação diante desse tipo de ofensiva. Trump só responde quando encontra resistência clara”, afirmou.>
A líder socialista também defendeu que o bloco europeu amplie parcerias estratégicas com outras regiões do mundo, citando o acordo com o Mercosul como exemplo de alternativa ao alinhamento exclusivo com os Estados Unidos. Segundo ela, o fortalecimento do multilateralismo seria uma resposta direta à visão defendida por Trump, associada à Doutrina Monroe.>
As ameaças ganharam força no último sábado (17), quando Trump anunciou que pretende impor tarifas progressivas a partir de fevereiro contra oito países europeus. Em publicação na rede Truth Social, o presidente afirmou que produtos importados da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Grã-Bretanha sofreriam sobretaxa inicial de 10%, com elevação para 25% a partir de junho. As medidas, segundo ele, só seriam suspensas caso fosse fechado um acordo para a “compra total” da Groenlândia — território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca.>
Antes da crise diplomática, o acordo comercial entre UE e EUA previa a redução de tarifas anteriormente estabelecidas, diminuindo de 30% para 15% a cobrança sobre a maioria dos produtos europeus exportados aos Estados Unidos. O tratado também incluía compromissos de abertura de mercado por parte da União Europeia e estava programado para entrar em vigor entre março e abril de 2026.>
Na época da assinatura, após reunião com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, Trump celebrou o entendimento, classificando-o como “o maior acordo comercial de todos os tempos”. Agora, porém, o futuro da parceria permanece incerto, condicionado ao desfecho do impasse político envolvendo a Groenlândia e às próximas movimentações diplomáticas entre Bruxelas e Washington.>