Péter Magyar derrota Orbán e encerra ciclo de 16 anos no poder

Líder do partido Tisza vence eleição legislativa, recebe reconhecimento do adversário e recoloca o país no centro do projeto europeu.

Publicado em 12 de abril de 2026 às 18:17

Péter Magyar derrota Orbán e encerra ciclo de 16 anos no poder
Péter Magyar derrota Orbán e encerra ciclo de 16 anos no poder Crédito: Reprodução/Instagram/@magyar_peter_oficial_the_man

Em uma das eleições mais marcantes da história recente da Europa, a Hungria viveu neste domingo uma mudança política profunda. O líder da oposição, Péter Magyar, venceu as eleições legislativas e será o novo primeiro-ministro do país, encerrando os 16 anos de governo de Viktor Orbán, nome associado à direita radical e a constantes embates com a União Europeia. Segundo resultados oficiais, Orbán reconheceu a derrota e telefonou para o adversário para parabenizá-lo pela vitória.

A vitória de Magyar representa uma virada histórica no cenário político húngaro. À frente do partido Tisza, de centro-direita e com posicionamento pró-Europa, o novo premiê construiu sua campanha com foco no combate à corrupção, na retomada do diálogo com Bruxelas e no reposicionamento internacional do país. A legenda conquistou maioria expressiva no Parlamento, com projeção de supermaioria, o que fortalece a possibilidade de reformas estruturais nos próximos anos.

Em pronunciamento após a apuração, Orbán classificou o resultado como “claro” e “doloroso”, admitindo o revés diante dos apoiadores em Budapeste. Mesmo derrotado, afirmou que seguirá atuando na oposição. A derrota põe fim a um ciclo de 16 anos no comando do país e marca a primeira grande ruptura no domínio político do partido Fidesz em duas décadas.

A participação popular também chamou atenção. A taxa de comparecimento ficou próxima de 80% entre cerca de oito milhões de eleitores, um índice considerado recorde e que reforça o peso histórico da votação. O alto engajamento foi visto por analistas como um sinal claro do desejo de mudança por parte da população.

No cenário internacional, a vitória foi recebida com entusiasmo por lideranças europeias. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a Hungria “escolheu a Europa”, interpretando o resultado como uma reaproximação do país com os valores e instituições do bloco. A mudança é vista como positiva para a União Europeia, especialmente após anos de tensões com Orbán, que frequentemente se colocava contra decisões de Bruxelas.

Com a eleição de Péter Magyar, a Hungria inicia uma nova fase política, com expectativas de mudanças internas e de uma relação mais alinhada com o Ocidente. O resultado também repercute além das fronteiras do país e pode influenciar o debate político em toda a Europa.