Presidente do Irã diz que ataques de Israel ao Líbano quebram negociações de paz

Masoud Pezeshkian afirma que Teerã não abandonará o povo libanês após ofensiva que deixou mais de 250 mortos.

Publicado em 9 de abril de 2026 às 12:19

Presidente do Irã diz que ataques de Israel ao Líbano esvaziam negociações de paz e reforça apoio a Beirute.
Presidente do Irã diz que ataques de Israel ao Líbano esvaziam negociações de paz e reforça apoio a Beirute. Crédito: Reprodução/Redes sociais

Em meio ao agravamento da crise no Oriente Médio, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, elevou o tom nesta quinta-feira (9) ao afirmar que os bombardeios de Israel contra o Líbano comprometem qualquer tentativa de avanço nas negociações por uma trégua. Em declaração pública, o líder iraniano disse que o país seguirá ao lado dos libaneses e classificou a ofensiva como uma violação direta do acordo de cessar-fogo discutido nos últimos dias.

Segundo Pezeshkian, a continuidade dos ataques israelenses torna as conversas diplomáticas “sem sentido”, principalmente diante da expectativa de um novo encontro entre representantes iranianos e norte-americanos marcado para esta sexta-feira (10), em Islamabad, no Paquistão. O presidente ainda reforçou que o Irã “nunca abandonará seus irmãos e irmãs libaneses”, colocando a defesa do Líbano como ponto central da posição de Teerã nas tratativas internacionais.

A declaração ocorre um dia após a mais intensa ofensiva israelense em território libanês desde o início da atual escalada do conflito. Em apenas cerca de dez minutos, mais de 100 ataques atingiram diferentes áreas do país, deixando ao menos 254 mortos e mais de 1.100 feridos, segundo balanços divulgados por autoridades locais e reproduzidos por agências internacionais.

O centro da tensão está na interpretação do cessar-fogo anunciado no início da semana. O acordo, mediado pelo Paquistão entre Estados Unidos e Irã, previa uma pausa de duas semanas nas hostilidades e a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo. No entanto, a inclusão do Líbano no entendimento se tornou alvo de divergência.

Enquanto Irã e Paquistão sustentam que a trégua também deveria abranger o território libanês, Israel e autoridades americanas afirmaram que o acordo não se estende às operações militares contra alvos ligados ao Hezbollah no país vizinho. Essa diferença de versões aprofundou a crise e reacendeu o risco de colapso das negociações diplomáticas.

Nos bastidores, a fala de Pezeshkian aumenta a pressão sobre a reunião prevista em Islamabad, que pode definir os próximos passos do cessar-fogo e discutir, justamente, a situação do Líbano. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, também condenou os ataques e conversou por telefone com o premiê libanês, Nawaf Salam, em tentativa de reduzir a escalada.

Além da crise humanitária no Líbano, a tensão também voltou a afetar o Estreito de Ormuz. Após os ataques, o Irã retomou restrições à passagem de embarcações na região, movimento que reacende alertas no mercado internacional sobre o impacto nos preços do petróleo e na estabilidade regional.