Publicado em 17 de outubro de 2026 às 15:31
Milhares de estudantes, professores e trabalhadores universitários foram às ruas de Buenos Aires, na Argentina, na quinta-feira (15), para exigir o cumprimento da Lei de Financiamento Universitário. A mobilização, que reuniu representantes de instituições públicas de ensino superior de diferentes regiões do país, terminou em confrontos entre manifestantes e forças de segurança nas proximidades do Congresso Nacional.>
A manifestação fez parte da 5ª Marcha Federal Universitária, organizada em defesa da educação pública e contra os cortes orçamentários promovidos pelo governo do presidente Javier Milei. Imagens registradas durante o ato mostram momentos de tensão, com agentes utilizando gás lacrimogêneo e jatos d’água para dispersar participantes.>
Segundo a Reuters, os protestos ocorreram em meio à insatisfação de estudantes e profissionais da educação com a política de austeridade do governo argentino. A comunidade universitária exige que o Executivo cumpra a legislação aprovada pelo Congresso, que prevê a atualização dos recursos destinados às universidades públicas.>
Confrontos deixaram detidos e feridos>
Os episódios de violência ocorreram nos arredores do Congresso, enquanto o ato principal reunia manifestantes em defesa do financiamento das instituições de ensino. Segundo relatos da imprensa internacional, um grupo de participantes lançou pedras e pedaços de mobiliário urbano contra policiais, que responderam com equipamentos de dispersão.>
Os números de detidos variaram conforme as fontes consultadas. A agência AFP informou que 25 pessoas foram detidas e oito agentes de segurança ficaram feridos. Já o canal argentino TN e o jornal espanhol El País noticiaram 31 detenções.>
A diferença entre os balanços reforça a necessidade de considerar o horário e a fonte de cada levantamento. Não havia, nas informações consultadas, um balanço único e definitivo que consolidasse todos os registros da ocorrência.>
O que prevê a Lei de Financiamento Universitário?>
A legislação em disputa estabelece mecanismos para recompor os recursos destinados às universidades públicas, atualizar salários de professores e fortalecer as bolsas estudantis, levando em consideração a inflação acumulada.>
A norma foi aprovada pelo Congresso argentino em 2025, mas o governo de Milei resiste à sua implementação, alegando preocupações com o equilíbrio das contas públicas. O impasse também chegou ao Judiciário, que, segundo a Reuters e a imprensa argentina, já proferiu decisões relacionadas ao cumprimento da lei.>
Os representantes das universidades argumentam que a falta de atualização dos recursos compromete o funcionamento das instituições, a remuneração dos profissionais e a continuidade de atividades acadêmicas e científicas.>
Universidades alertam para perda de recursos>
A Universidade de Buenos Aires (UBA), uma das principais instituições públicas do país, participou da mobilização e defendeu o cumprimento da legislação. Em publicação institucional, a universidade afirmou que a marcha reuniu estudantes, docentes e outros setores da sociedade em defesa do ensino superior público.>
Dados citados pela Reuters apontam que representantes da UBA estimaram perdas salariais significativas entre professores durante a atual gestão. Já um estudo do Centro de Pesquisa de Economia Nacional da própria universidade, citado pela AFP, indicou uma redução real de 40,5% nos recursos destinados às universidades na comparação entre o primeiro semestre de 2026 e o mesmo período de 2023.>
As entidades universitárias defendem que a recomposição orçamentária é necessária para garantir o funcionamento das instituições, preservar as bolsas estudantis e manter a pesquisa científica.>
Governo enfrenta pressão de estudantes e professores>
A marcha de quinta-feira foi mais uma etapa da mobilização nacional contra a política de financiamento da educação superior. O movimento reuniu representantes de universidades, sindicatos docentes e organizações estudantis, com atos também em outras cidades argentinas, como Córdoba e Rosário.>
O governo de Javier Milei sustenta que as medidas de austeridade são necessárias para manter o equilíbrio fiscal. A comunidade universitária, por sua vez, afirma que a redução dos recursos ameaça a qualidade do ensino e as condições de trabalho nas instituições públicas.>
O impasse entre o Executivo, o Congresso e as universidades mantém a questão do financiamento do ensino superior no centro do debate político argentino.>
Texto por Pedro Moraes.>