Protestos no Irã deixam 192 mortos e governo admite intensificação do confronto

As manifestações já duram quase duas semanas e têm sido marcadas por confrontos cada vez mais violentos entre manifestantes e forças de segurança.

Publicado em 11 de janeiro de 2026 às 10:51

protesto no Irã
protesto no Irã Crédito: Reprodução 

O número de mortos nos protestos que se espalham pelo Irã chegou a 192 pessoas, segundo balanço divulgado neste domingo (11) pela ONG Iran Human Rights, que monitora violações de direitos humanos no país. As manifestações já duram quase duas semanas e têm sido marcadas por confrontos cada vez mais violentos entre manifestantes e forças de segurança.

Os protestos são direcionados contra o regime do aiatolá Ali Khamenei e têm como principal motivação denúncias de repressão, violência policial e autoritarismo do governo iraniano. Manifestantes acusam as forças de segurança de uso excessivo da força, incluindo disparos contra civis.

Neste domingo, o chefe da polícia iraniana, Ahmad-Reza Radan, admitiu que o cenário se agravou ao afirmar que “o nível de confronto com os manifestantes se intensificou”. A declaração reforça relatos de escalada da repressão estatal nas ruas.

De acordo com a ONG sediada na Noruega, o número real de vítimas pode ser ainda maior. Isso porque o governo iraniano mantém restrições severas à internet, dificultando a checagem de informações, a comunicação entre civis e o trabalho de entidades independentes.

Em meio à crise, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, adotou um discurso ambíguo. Ao mesmo tempo em que pediu que a população se afaste do que chamou de “terroristas e badernistas”, afirmou estar aberto ao diálogo. No entanto, o presidente também responsabilizou Estados Unidos e Israel, acusando os países de “semear o caos e a desordem” no território iraniano.

A Guarda Revolucionária do Irã, força militar responsável pela defesa do regime, declarou que a segurança nacional é inegociável, sinalizando que a repressão aos protestos deve continuar.

O cenário interno ocorre em paralelo a um aumento das tensões internacionais. Também neste domingo, o governo iraniano ameaçou retaliar Israel e bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio caso o país seja alvo de um ataque americano. A ameaça surge após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que poderá intervir caso o regime iraniano continue matando manifestantes pacíficos.

A combinação de repressão interna, denúncias de violações de direitos humanos e escalada retórica contra potências estrangeiras aumenta o risco de um agravamento da crise política e humanitária no Irã.

Com informações do G1